A Igreja Católica fará no próximo ano uma mobilização nacional de combate às drogas, afirmou ontem o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemello, ao lançar a Campanha da Fraternidade 2001, cujo tema é ‘‘Vida sim, drogas não’’. A Igreja quer sensibilizar a sociedade para lutar contra as drogas, inclusive as lícitas, como o álcool e o fumo.
Segundo dados da CNBB, as drogas movimentam US$ 400 bilhões no planeta e são responsáveis pelo aumento da violência, da prostituição, de sequestros e da corrupção política. ‘‘A droga é um flagelo social que precisamos enfrentar corajosamente’’, disse Chemello. A campanha de 2001 vai incentivar movimentos de solidariedade em favor das vítimas diretas das drogas, com ênfase na valorização da vida.
‘‘A Igreja vai buscar, com esse trabalho, dar sentido à vida daqueles que se envolvem com as drogas’’, explica Chemello. Na avaliação do bispo, a sociedade é ‘‘ignorante’’ em relação às drogas, que causam outros problemas graves, como o crime organizado, o tráfico de armas e a prostituição.
Dom Chemello disse que o agravamento do problema das drogas no País exige das pessoas a revisão de atitudes. Segundo o bispo, a sociedade brasileira não pode fechar os olhos para o narcotráfico e das drogas consideradas lícitas.
Ao lançar a Campanha da Fraternidade, dom Chemello criticou o relatório do deputado Alberto Fraga (PMDB-DF) à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da reformulação da segurança pública, que propõe a redução da maioridade penal. ‘‘É um desserviço à sociedade’’, afirmou o bispo, referindo-se à proposta de Fraga estabelecendo que crianças a partir dos 11 anos poderão responder criminalmente como adultos. Para dom Jayme Chemello, a redução da idade penal não é a solução para diminuir os crimes praticados por crianças e adolescentes.

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