Igreja e médicos condenam doação de pílula
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quinta-feira, 10 de março de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A decisão do Governo Federal de adotar a distribuição da pílula do dia seguinte em postos de saúde foi criticada ontem por representante da Igreja Católica e médicos de Londrina. A medida polêmica faz parte do programa Políticas de Planejamento Familiar, que será lançado no próximo dia 22 através de parceria entre o Ministério da Saúde e Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Os profissionais alertam para o risco de que os jovens ''relaxem'' na prevenção às doenças ao manter relações sexuais.
O padre José Rafael Solano Duran, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz, ressaltou que a Igreja Católica ''sempre se manifesta em favor da vida'', independente da situação. ''Tudo o que atente contra a vida é um mal. O que atente contra a vida humana é um mal ainda maior'', destacou. ''A Igreja não aceita nenhum tipo de anticoncepcional, de arma que possa atacar a vida da pessoa humana em sua integridade'', acrescentou. Doutor em teologia moral e bioética da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, ele afirmou que os padres devem orientar os fiéis a não usar a pílula.
Já o ginecologista e obstetra Dalmo Borges Ramos Júnior, apesar de ser a favor do método, também criticou a decisão de distribuir os comprimidos nos postos de saúde. Ele salienta que a pílula do dia seguinte deve ser usada apenas em casos excepcionais, como estupro, ruptura do preservativo e uma eventual relação sem camisinha - ''se for uma coisa muito extemporânea.'' ''O problema é que a distribuição pode incitar os jovens a não usar preservativo e expô-los ao risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis'', ressalvou.
O método também não é completamente infalível. Por isso, na opinião de Ramos, não pode ser considerado como alternativo aos métodos contraceptivos clássicos. Ele afirma que a disponibilização em postos de saúde somente seria recomendável se houver acompanhamento médico para liberação do medicamento. O ginecologista revelou que costuma receitar a pílula para os pacientes dele em ''casos excepcionais.''
Também ginecologista e obstetra, Paulo Talizin, revela que é contra o método. Até mesmo nos chamados casos de exceção como o estupro. ''Um erro não se corrige com outro. A solução seria que esse pecado não existisse. Mesmo assim, não justifica o uso da pílula'', avaliou.
Há pelo menos quatro tipos de pílula do dia seguinte no mercado. O preço varia de R$ 14,00 a R$ 20,00. A reportagem tentou entrar em contato com o coordenador da seccional do Conselho Regional de Farmácia (CRF) em Londrina, Marcos Antonio Rech para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.


