Igreja desiste de mediar crise agrária
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 1997
Agência Estado, 
de Brasília
Ed Ferreira/Agência EstadoFilhotes da IgrejaO presidente da CNBB, Dom Lucas Neves, cumprimenta o líder dos sem-terra João Pedro StedileA Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desistiu de intermediar uma reaproximação entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o governo federal. Anteontem, após se encontrar com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, o presidente da CNBB, dom Lucas Moreira Neves, admitiu que a Igreja poderia patrocinar a retomada das negociações, mas ontem, pouco depois de encontro com dirigentes do MST, o arcebispo-primaz do Brasil recuou.
Não vamos fazer a mediação, disse dom Lucas, recusando-se a fazer novos comentários sobre a crítica do presidente Fernando Henrique Cardoso a padres e bispos que atuam junto aos sem-terra.
No dia anterior, dom Lucas Moreira Neves declarou achar inconveniente as declarações do presidente ao papa João Paulo II, durante sua visita ao Vaticano, no início do mês. O que tinha para falar já falei, disse o presidente da CNBB, antes de embarcar para Salvador.
A direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra aproveitou a manifestação da entidade para prestar solidariedade aos bispos e padres.
O apoio da Igreja ao MST é histórico, disse um dos coordenadores nacionais do movimento, João Pedro Stédile. Somos filhotes da Igreja, completou. Segundo Stédile, a intenção do governo de investigar a origem dos recursos utilizados na marcha promovida pelos sem-terra até Brasília é uma retaliação contra o MST.
Recebemos ajuda de padres, párocos e até de prefeitos do partido do ministro Nelson Jobim (o PMDB), alfinetou o coordenador.
O apoio da Igreja, segundo a direção do Movimento Sem-Terra, é explícito. Mesmo depois do recuo e posterior saída de dom Lucas Moreira Neves da reunião de ontem, os coordenadores do movimento continuaram reunidos com assessores da CNBB, onde um dos assuntos tratados seria a marcha dos sem-terra.


