de Brasília

Ed Ferreira/Agência Estado‘‘Filhotes da Igreja’’O presidente da CNBB, Dom Lucas Neves, cumprimenta o líder dos sem-terra João Pedro StedileA Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desistiu de intermediar uma reaproximação entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o governo federal. Anteontem, após se encontrar com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, o presidente da CNBB, dom Lucas Moreira Neves, admitiu que a Igreja poderia patrocinar a retomada das negociações, mas ontem, pouco depois de encontro com dirigentes do MST, o arcebispo-primaz do Brasil recuou.
‘‘Não vamos fazer a mediação’’, disse dom Lucas, recusando-se a fazer novos comentários sobre a crítica do presidente Fernando Henrique Cardoso a padres e bispos que atuam junto aos sem-terra.
No dia anterior, dom Lucas Moreira Neves declarou achar inconveniente as declarações do presidente ao papa João Paulo II, durante sua visita ao Vaticano, no início do mês. ‘‘O que tinha para falar já falei’’, disse o presidente da CNBB, antes de embarcar para Salvador.
A direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra aproveitou a manifestação da entidade para prestar solidariedade aos bispos e padres.
‘‘O apoio da Igreja ao MST é histórico’’, disse um dos coordenadores nacionais do movimento, João Pedro Stédile. ‘‘Somos filhotes da Igreja’’, completou. Segundo Stédile, a intenção do governo de investigar a origem dos recursos utilizados na marcha promovida pelos sem-terra até Brasília é uma retaliação contra o MST.
‘‘Recebemos ajuda de padres, párocos e até de prefeitos do partido do ministro Nelson Jobim (o PMDB)’’, alfinetou o coordenador.
O apoio da Igreja, segundo a direção do Movimento Sem-Terra, é explícito. Mesmo depois do recuo e posterior saída de dom Lucas Moreira Neves da reunião de ontem, os coordenadores do movimento continuaram reunidos com assessores da CNBB, onde um dos assuntos tratados seria a marcha dos sem-terra.

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