Igreja define áreas para reforma agrária
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Agência Folha<br> de Brasília 
A maior propriedade da Igreja Católica no Brasil fica em Santarém (PA), tem dez mil hectares e é parcialmente produtiva, de acordo com um levantamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que está em fase de conclusão. O levantamento foi um dos itens discutidos em uma reunião da cúpula da entidade, que terminou ontem em Brasília.
Os bispos definiram também que estão preocupados com a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Nós vamos observar aspectos éticos da privatização para discutir na assembléia geral, em abril, disse dom Lucas Moreira Neves, presidente da CNBB e cardeal arcebispo de Salvador (BA). Segundo dom Lucas, os bispos vão definir se a avaliação da empresa foi bem-feita e se está sendo levada em conta sua importância estratégica, sem ceder a forças estrangeiras um patrimônio de altíssima importância.
A CNBB está preocupada também, segundo dom Lucas, com o destino que terão os empregados da empresa e suas famílias depois que ela for vendida. O bispo dom Demétrio Valentini, que participou da reunião, disse que a CNBB não é contra a privatização. Mas queremos que ela seja mais discutida pela a sociedade. Só se fala de precatórios hoje, disse o bispo dom Demétrio Valentini. Ele é o responsável pelo levantamento das terras da Igreja.
Na assembléia geral da CNBB, em Indaiatuba (SP), entre 9 e 18 de abril, os 377 bispos brasileiros deverão discutir com base no relatório final quais terras podem ser destinadas à reforma agrária.
Segundo dom Demétrio, a maior parte das grandes propriedades, que poderão ser utilizadas para reforma agrária, está no Norte e Nordeste.


