Pelo menos em um assunto, anjos e diabos concordam: se não tiver camisinha, é melhor não encarar a paquera. Esse é o mote da nova campanha do Ministério da Saúde para o Carnaval deste ano, divulgada ontem pelo ministro José Serra. A campanha que mostra um jovem em conflito entre o bem e o mal desagradou até mesmo a setores menos conservadores da Igreja Católica.
O bispo auxiliar da Arquidiocese Metropolitana de Curitiba, dom Ladislau Biernaski, vice-presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), disse que a
a campanha estimula a promiscuidade. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) preferiu não se pronunciar sobre o assunto até que os filmes publicitários sejam divulgados em rede nacional, mas promete uma posição para hoje.
Bienarski enfatiza que a Igreja deve questionar a moralidade da campanha, criada em Curitiba pela Master Comunicação. O bispo acredita que, além de ser imoral, o material não atinge o objetivo. ‘‘A camisinha não é 100% segura. Deve-se incentivar outros métodos de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como a fidelidade’’, salienta. Ele acredita que a campanha incentiva o jovem a agir sem respeito a si mesmo e ao próximo.
O diretor de atendimento da Master, Pedro Arlant, esclarece que a intenção da empresa nunca foi causar polêmica, mas entende o posicionamento da Igreja. ‘‘Nós só usamos um anjo e um diabo por representarem o bem e do mal na nossa cultura’’, justifica Arlant.
Essa não é a primeira vez que a Master causa polêmica. Comercial contra o fumo, que comparava vendedores de cigarros com traficantes, encomendado pelo Ministério da Saúde estimulou a entrada em vigor da lei que proíbe comerciais de cigarro na TV. No ano passado, campanha criada para o Festival de Teatro de Curitiba foi vetada antes mesmo de ser veiculada.
Para a diretora de criação Iolanda Garay, de Curitiba, a polêmica numa campanha publicitária é sempre positiva, principalmente quando se trata de um problema social, como a prevenção à Aids. ‘‘A campanha da Master não está colocando em risco nenhum cliente, apenas alertando a população da necessidade de se proteger’’, considera.
A chefe da Unidade de Prevenção à Aids do Ministério da Saúde, Rosemeire Munhoz, disse que as campanhas do governo ‘‘sempre vão insistir no uso da camisinha’’. Ela afirma: ‘‘O preservativo é o único método efetivo para evitar a infecção pelo HIV na relação sexual.’’
‘‘Sempre fazemos uma campanha especial no Carnaval porque é uma época propícia, mas isso é apenas parte da nossa campanha de prevenção’’, disse o ministro da Saúde, José Serra. As campanhas anteriores foram dirigidas aos caminhoneiros e a mulheres grávidas para evitar o que se chama de transmissão vertical, de mãe para filho. Este ano, o ministério comprou 200 milhões de preservativos masculinos e 2 milhões de femininos. (Com Agência Folha)

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