Paris, 11 (AE) - A Virgem Maria acaba de fazer um milagre. O fato aconteceu na gruta de Lourdes (Sul da França), onde a Virgem apareceu em 1858 a uma pastora chamada Bernadette Soubirous. Desde essa época, a gruta onde a Virgem se manifestou é o lugar de uma das maiores peregrinações do mundo (mais ou menos como Fátima, em Portugal). De vez em quando, constata-se um milagre.
O último milagre teve lugar há 12 anos, em 1987. No dia 5 de outubro desse ano, um enfermeiro de 51 anos chegou a Lourdes em cadeira de rodas. Sofria de uma esclerose óssea, doença degenerativa que o levou à invalidez total. Rezou. E eis como ele próprio conta seu renascimento: "Sinto uma sensação de calor, depois de frio... À noite, recebo uma ordem: "Levanta-te e anda". E começo a caminhar, como uma criança titubeante que aprende a andar..."
Doze anos depois, o severíssimo Comitê Médico Internacional de Lourdes, composto de 40 personalidades médicas altamente conceituadas, depois de múltiplos exames, acaba de confirmar o "milagre".
Cumpre lembrar, que para ser homologado, um milagre deve satisfazer a três condições: a doença deve ser grave e orgânica, não psiquiátrica, e julgada incurável. A cura deve ser súbita, definitiva e permanente.
Desta sorte, as autoridades de Lourdes ratificam este milagre. O milagre precedente ocorreu em 1976: uma jovem italiana, de 12 anos, foi curada de um câncer nos ossos da perna. Observemos que o Comitê é muito rigoroso porque a Igreja desconfia. ou melhor, sempre desconfiou da noção de "milagre".
A gruta de Lourdes recebe anualmente cinco milhões de peregrinos, que se banham na piscina sagrada na esperança de uma graça, de um alívio.
Desde 1872, 65 mil casos de curas inexplicadas foram observados. Desses 65 mil casos, a Igreja selecionou apenas um terço que julgou merecedor de exames mais aprofundados. E, desse número, apenas 66 milagres foram autenticados pelas autoridades eclesiásticas.
Este rigor da Igreja não agrada a todos: os católicos integristas denunciam o que chamam de "insensibilidade" do Vaticano e garantem que, na realidade, a Virgem trabalha muito mais do que se afirma e que existem muito mais do que 66 curas misteriosas. Centenas, talvez.
Seja como for, este esclerosado conseguiu seu exame. Tornou-se oficialmente um "miraculado". E os doze anos de espera atestam a seriedade das pesquisas.
Esta prudência, estas demoras são compreensíveis. Afinal, saber fazer um milagre não está ao alcance de qualquer um. Vejamos o que acontece em Israel: A partir da primavera, será possível "caminhar sobre as águas" do Lago de Tiberíades, não longe de Kefar Nahum (a bíblica Cafarnaum), onde Jesus andou sobre as águas há 2.000 anos.
Como não ficar emocionado? Refazer, sobre as águas do Tiberíades, o gesto de Jesus! Maravilhoso! Tanto mais maravilhoso porque não custará muito caro: 10 shekhels (equivalente a 2 dólares) para 70 metros de passeio sobre as águas,apenas para cobrir os custos da construção da plataforma, situada cinco centímetros abaixo da superfície do lago, sobre a qual os peregrinos poderão caminhar sem risco de se afogar.
O promotor do projeto , o jurista israelense Ron Major, um homem desinteressado e escrupuloso, grande respeitador das religiões, observou que o preço do pedágio é modesto. "Não será uma Disney World", disse ele.

mockup