Brasília, 27 (AE) - A Igreja Católica pretende criar uma das maiores agências de notícias do País. O anúncio foi feito hoje pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemello. A agência vai unificar os serviços de televisão, rádio, Internet e jornais. A primeira fase da agência de notícias da Igreja, que começa a operar em outubro, será experimental. A agência vai receber notícias de 8 mil paróquias e de 260 dioceses em todo o País. Inicialmente, irão trabalhar na agência 500 comunicadores, sendo mais de 300 formados em Jornalismo.
Dom Chemello disse que os serviços da agência serão totalmente gratuitos e de interesse social. O padre Benedito Spinoza, encarregado da montagem da agência, disse que está recebendo ajuda da organização não governamental (ONG) União Cristã Brasileira de Comunicadores (UCBC), para definir os detalhes da nova agência. "Vamos pegar o dia-a-dia do povo e colocar na agência", disse o padre Spinoza. Mas a CNBB pretende ainda incluir no noticiário todos os fatos jornalísticos, exemplo de decisões governamentais e conflitos no campo. O padre Spinoza disse que vai incluir também o noticiário sobre mercado financeiro.
"A diferença é que na nossa agência o povo não será só protagonista", explica o religioso, "mas consumidor e participante". O padre prevê que uma decisão econômica, por exemplo, será repercutida não somente com formadores de opinião pública e com políticos, mas com o povo. "O povo vai opinar na agência porque a idéia é favorecer o povo". Segundo ele, a CNBB não vai gastar muito para criar a agência. Ele afirmou que a grande maioria dos jornalistas já foi contratada e trabalha nas quatro emissoras de televisão, nas 190 rádios e nos 140 jornais de médio e pequeno porte da Igreja Católica. Segundo o padre, todo o software da agência custou R$ 15 mil.
A expectativa da CNBB é que a agência esteja funcionando com toda a sua capacidade em pouco mais de um ano. O padre disse que serão transmitidas notícias em português, inglês e espanhol. A expectativa da CNBB é que a agência tenha grande penetração no interior, a partir da distribuição de notícias pelas paróquias. "Temos uma distribuição igual à da Coca-Cola", brincou o padre Benedito. A CNBB pretende utilizar a agência também como instrumento de divulgação de notícias de interesse da Igreja Católica.
Todas as dioceses e a maioria das paróquias, segundo a CNBB, já possuem computadores. Outra expectativa é que a agência da Igreja contribua para popularizar a informação.

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