SAN VICENTE DEL CAGUáN, Colômbia, 14 (AE-AP) - Na tentativa de dar alento aos esforços de reconciliação entre os colombianos, a Igreja Católica estenderá no próximo domingo, que marca o início da Semana Santa, uma peregrinação de Via Sacra até a zona desmilitarizada no sudoeste do país, na qual o governo e a guerrilha iniciaram em 1999 negociações de paz.
O incentivo da Igreja às negociações segue-se ao anúncio feito ontem (13) pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) de que em 27 de abril iniciarão diálogo com o governo para acertar uma possível trégua das hostilidades.
A Via Sacra nacional começou no último dia 7 em El Espinal, povoado no Sul do país, e, depois de atravessar 14 pequenas cidades e vilas de uma região castigada pela guerrilha, chegará no domingo à zona de 42.000km2 desmilitarizada pelo governo para ali instalar o quartel-general das negociações. A peregrinação percorrerá 12 km através de uma zona rural até chegar ao povoado de San Vicente, palco dos últimos encontros entre governo e rebeldes.
A proposta de iniciar ainda este mês o diálogo com vistas a uma trégua foi encarado com otimismo pelos negociadores do governo, um dos quais, Pedro Gómez Barrero, anunciou hoje que a ocasião será aproveitada para "esboçar um acordo".
Alguns analistas chegaram a considerar "uma reviravolta" na posição das FARC sua atitude de propor novas negociações antes de terem conquistado avanços significativos na agenda proposta pelo grupo.
Ao mesmo tempo, o procurador-geral Jaime Bernal Cuéllar anunciou hoje em Bogotá que na próxima segunda-feira iniciará reuniões com os chefes do Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda guerrilha da Colômbia, para convocar uma grande assembléia como ponto de partida para um possível processo de trégua.
A perspectiva de interrupção do conflito surge no momento em que as hostilidades vêm atingindo níveis sem precedentes. Ainda hoje, a Oitava Brigada do Exército colombiano anunciou que 14 guerrilheiros 12 homens e duas mulheres foram mortos em uma operação militar em Páramo de la India, a cerca de 160 km a oeste da capital, Bogotá. Os rebeldes pertenciam a uma dissidência do Movimento 19 de Abril (M-19), desmobilizado há dez anos. Eles utilizavam armas e explosivos em ataques contra povoados dos departamentos de Valle, Quindío e Caldas.

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