Igreja Católica pede perdão por seus pecados
Igreja Católica pede perdão por seus pecados7/Mar, 18:46 Por Assimina Vlahou, especial para a AE Roma, 7 (AE) - A violência e os abusos da Inquisição, das Cruzadas e das conversões forçadas durante a vangelização dos novos continentes; a corrupção, as excomunhões recíprocas (entre católicos e protestantes) e a divisão entre os cristãos; a hostilidade, o preconceito e a omissão contra os judeus são alguns dos pecados cometidos pela Igreja Católica ao longo de seus 2 mil anos. Por eles, mas também pelos pecados do presente - ateísmo e falta de respeito pela vida -, o papa João Paulo II vai pedir perdão no domingo, com uma cerimônia litúrgica que é um dos pontos altos do jubileu do ano 2000. O Dia do Perdão já havia sido anunciado na bula papal que instituiu o jubileu. "Como sucessor de Pedro, peço que a Igreja se ajoelhe diante de Deus e implore perdão pelos pecados passados e presentes de seus filhos", escreveu João Paulo II. Durante seus 21 anos de pontificado, o papa já reconheceu os erros do passado em cerca de cem discursos e documentos. Contrapartida - Um gesto sem precedentes na História, a "purificação da memória" provocou interesse das outras religiões, mas foi criticada por integrantes da própria Igreja Católica. Questiona-se a iniciativa do papa, porque se considera que ela é unilateral e se pede um passo semelhante das outras igrejas. Por isso e pela extensão do mea culpa - que pode ser visto como uma espécie de autoflagelação, foi necessério explicar e justificar a iniciativa. O próprio pontífice pediu uma base teológica para isso. Preparado pela Comissão Teológica Internacional, composta por 30 teólogos de vários países e chefiada pelo cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), o documento Memória e Reconciliação: a Igreja e as Culpas do Passado foi apresentado oficialmente hoje no Vaticano. Não se trata de um documento da Santa Sé, como a Carta sobre o Holocausto, de 1998, mas da Comissão Teológica. O texto relaciona as grandes categorias de culpas pelas quais todos os católicos devem responsabilizar-se. Afirma que a Igreja deve aceitar como próprios os pecados dos homens que a representam e reconhecer que há uma responsabilidade comum. Mas não deve julgar. Para o cardeal Ratzinger, que apresentou hoje o documento no Vaticano, a Igreja do presente não pode comportar-se como se fosse um tribunal e julgar o passado com arrogância. "A consciência dos erros cometidos ajuda a não nos sentirmos grandes heróis do mundo e isso é importante no diálogo com os outros para melhorar o mundo", disse, durante a apresentaçao do documento. A autocrítica pode ser um passo importante para dar novo impulso à evangelizaçao, promover a união entre os cristãos e favorecer o diálogo com quem não crê. "Será importante ver se haverá consequências concretas", comentou o teólogo alemão Hans Kung. Em sua opinião o papa não pode continuar a referir-se a filhos e filhas da igreja sem nunca citar os papas e suas responsabilidades específicas. Professor de Teologia na Universidade de Tubinga, Kung foi proibido de ensinar em nome da Igreja Católica 21 anos atrás por questionar a infalibilidade do papa. " É curioso que o chefe da comissão que elaborou o documento seja o responsável pela Inquisição moderna", comentou em entrevista a um jornal suíço. "Hoje os condenados não são mais queimados fisicamennte mas o são psicologicamente, muitos teólogos e bispos foram perseguidos por este papa", denunciou.





