Cidade do México, 24 (AE-ANSA) - Seguindo o exemplo do papa João Paulo II, a Igreja católica mexicana pediu hoje perdão por todos os erros e pecados que tenha cometido ao longo da história do país, e retirou a excomunhão dos dois mais venerados lutadores pela independência do México: os sacerdotes Miguel Hidalgo e José María Morelos.
No documento, cuja elaboração durou 15 meses, o Episcopado mexicano justifica ser urgente "darmos um passo à frente em relação à melhor compreensão da nossa história, para deixarmos de ser prisioneiros do passado."
O texto cita nominalmente Miguel Hidalgo, que em 1810 convocou o primeiro levante contra a Coroa espanhola a partir de sua humilde paróquia no povoado de Dolores, no estado de Guanajuato. Pela ousadia, foi fuzilado em 1911 e permaneceu excomungado pela Igreja por mais de um século e meio.
O outro sacerdote, José María Morelos cuja efígie adorna a moeda nacional por motivo semelhante foi morto e continua excomungado. Durante a última visita de João Paulo II ao país, em 1999, um grupo de historiadores pediu ao pontífice que a excomunhão de Morelos fosse suspensa.
O documento eclesiástico, considerado o mais importante da Igreja mexicana em três décadas, não se refere, porém, a outro dos mais polêmicos e reverenciados heróis nacionais: Benito Juárez, que expropriou os bens da Igreja e ordenou a secularização da sociedade em meados do século 19.

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