A coleta de recursos durante as missas no Domingo de Ramos - o último antes da Páscoa - será, este ano, destinada a apoiar projetos contra o desemprego. A iniciativa, inédita, foi anunciada ontem pelo secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Damasceno, no lançamento da Campanha da Fraternidade. Entre outras sugestões da igreja para criação de emprego estão a redução da jornada de trabalho, com a manutenção do salário, redução de horas extras e a reforma agrária mais efetiva.
Na mensagem de abertura da campanha de tema ‘‘A Fraternidade e os Desempregados’’, divulgada ontem, o Papa João Paulo II lembrou o Jubileu do Ano 2000 - quando se comemora os 2.000 anos de nascimento de Jesus Cristo - em um mundo ainda marcado por conflitos e por ‘‘intoleráveis’’ desigualdades sociais e econômicas. O Papa falou da necessidade de compreender o direito ao trabalho e de os cristãos pensarem sobre o ‘‘fenômeno mundial desconcertante do desemprego e do subemprego’’. O Papa pediu para que sejam empregados todos os meios disponíveis para aliviar o drama da falta de ocupação. Para enfrentar o ‘‘angustiante problema do desemprego’’, a igreja quer partir para ações práticas e sensibilizar o governo e a sociedade a também atuarem.
Considerando o Plano Real e o desemprego, a
CNBB informou que de 1º de julho de 1994 ao final de 1996, perderam-se, no Brasil, 755.379 empregos formais. Maior perda aconteceu entre os bancários, mas também há expectativas de que o setor automobilístico venha a reduzir em 30% os postos de trabalho até o próximo ano. Os mais atingidos são os jovens - em São Paulo, entre 1989 e 1996, a taxa de desemprego entre pessoas de 15 a 19 anos de idade subiu de 18,8% para 39,8% -, os negros e as mulheres.
Para a criação de novos postos de trabalho, além da redução da jornada de trabalho e das horas extras, o incentivo a microempresas e a requalificação profissional foram sugeridas pela CNBB. De acordo com o padre Luiz Bassegio, assessor da Pastoral Social, só a redução das 267 milhões de horas extras efetuadas em 1995 seriam suficientes para gerar mais de 300 mil empregos.
Para amenizar os efeitos da crise da falta de trabalho,
a igreja também defende a definição de áreas para pequenos vendedores, os ambulantes, e o aumento da cota de importação de US$ 150 para US$ 500,00. ‘‘Por que só a classe média tem direito à cota maior nos frees shops?, questionou o padre. A CNBB também espera a punição de iniciativas desempregadoras e o auxílio maior ao desempregado.
À sociedade, a igreja sugere a criação de grupos comunitários para levantamento do número de desempregados a fim de cobrar das autoridades maior atenção ao problema. Quer ainda, o apoio social para efetivação do Projeto de Renda Mínima.
A Igreja católica lançou ontem, no Santuário Nacional de Aparecida, a 36ª edição da Campanha da Fraternidade. O tema é o desemprego, sob o lema ‘‘Sem trabalho...Por quê ?’’ A missa que marcou o lançamento da campanha foi celebrada pelo cardeal arcebispo de Aparecida, d. Aloísio Lorscheider, e acompanhada por cerca de quatro mil pessoas.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quer discutir os motivos e responsabilidades sobre os altos níveis de desemprego e as consequências sociais disto. A igreja deve estimular seus fiéis a cobrar decisões do governo federal para mudar esse quadro.

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