Bogotá, 24 (AE-AP) - Nem as esmolas recolhidas durante a missa do domingo nas igrejas católicas, destinadas a obras sociais, são poupadas das extorsões das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), incrementadas pelos guerrilheiros nos últimos dias.
A denúncia foi feita pelo arcebispo de Bogotá, Pedro Rubiano, segundo o qual as Farc solicitaram entre 50 e 100 milhões de pesos (entre US$ 25 mil e US$ 100 mil) a diversas paróquias, principalmente no departamento de Cundinamarca.
"Os párocos foram bem claros", disse o arcebispo, "ao responder que por princípio não se pode entregar dinheiro de obras sociais, para evangelização, à guerra".
Dom Pedro Rubiano acrescentou que esse tipo de extorsão já ocorria anteriormente, mas que se tornou mais frequente e feita com maior violência pelos guerrilheiros nas últimas semanas.
Há uma semana, a denúncia de extorsão partiu de outra fonte: a Telecom, estatal oficial de telecomunicações, alertou que está sofrendo extorsão das Farc em troca da promessa de que sua infra-estrutura não sofra ataques, mas que tem-se negado a pagar o preço pra evitá-los. Também as prefeituras de Cundinamarca têm sido objeto de chantagem: os guerrilheiros exigem a entrega dos fundos municipais, o que obrigou o governador do departamento a enviar aos prefeitos da região uma carta advertindo que o desvio de recursos públicos é punido com prisão e destituição do cargo.
A autoria da explosão, em 30 de março, de uma bomba em Cachipay, um povoado de Cundinamarca, que deixou três mortos e 20 feridos, foi atribuída às Farc, como uma forma de pressão para obrigar as autoridades locais a dobrar-se às exigências do grupo guerrilheiro. Técnicos da Telecom tambem foram sequestrados no sul do país, e seus gerentes regionais sofreram ameaças e represálias para que cedessem às pressões de entrega do dinheiro público.
Para o analista militar Alfredo Rangel, a pressão das Farc para obter maiores recursos cresceu nas últimas semanas, devido ao Plano Colômbia o plano de US$ 1,7 bilhão de ajuda ao país prometido pelo governo dos EUA. "Com a diferença", diz Rangel, "de que a guerrilha já está recolhendo o dinheiro, enquanto o governo (colombiano) continua à espera da aprovação da ajuda" dos EUA.

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