Marília, SP, 06 (AE) - A Igreja Católica deixará de promover concentração popular nos municípios da região de Marília, interior de São Paulo, ficando a participação no Grito dos Excluídos, programado para amanhã (07), com realização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), restrita a atividades programadas para as paróquias.
A informação foi prestada hoje pelo bispo emérito de Marília, d. Daniel Tomasella, que atribui a decisão aos agentes pastorais da região, que alegaram falta de local apropriado para o manifesto.
Na opinião do bispo, nos anos anteriores, as concentrações populares voltadas para o Grito dos Excluídos foram prejudicadas pêlos desfiles cívico-militares organizados visando as comemorações do Dia da Independência. "As pessoas ficam mais interessadas em acompanhar os desfiles e isto prejudica a concentração", disse. Na Diocese de Marília, haverá concentração nos municípios que integram as regiões de Tupã e Dracena.
D. Daniel disse que o Grito dos Excluídos é iniciativa da Igreja Católica, mas lembrou que a manifestação vem sendo descaracterizada pela participação de grupos com interesses políticos como o PT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas negou que a decisão de concentrar nas paróquias as manifestações de amanhã tenha sido adotada para evitar esta situação.
Segundo o bispo, mesmo nas comemorações programadas para amanhã em Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), quando cerca de 30 mil manifestantes deverão estar reunidos na basílica nacional, o Grito dos Excluídos será realizado em duas etapas, começando com missa dentro do templo, o que representará o verdadeiro objetivo da promoção, sem manifestações políticas, seguido de outras manifestações fora da Igreja, quando os partidos e movimentos sociais poderão falar.
De acordo com d. Daniel, a finalidade do Grito dos Excluídos, que este ano terá por tema o desemprego, é refletir a grave situação dos marginalizados para conscientizar a sociedade sobre a questão dos desempregados e não pode ser confundida com posições políticas e de ataques ao governo.

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