Jerusalém, 24 (AE) - O Natal do Jubileu, das comemorações dos 2 mil anos de cristianismo, também é, este ano em Israel, o Natal da tensão e do medo. Representantes da Igreja Católica ameaçam fazer a maior greve dos últimos tempos na Terra Santa. Eles querem fechar por pelo menos uma semana os 58 templos mantidos pela Ordem dos Franciscanos. Além disso, os religiosos temem a atuação de fanáticos, que podem fazer atentados contra a própria vida e a dos outros, durante as comemorações.
A greve ocorrerá, como explica o frei Emílio Barcena, diretor da Central de Informações Cristãs, se o governo israelense permitir a construção de uma mesquista em Nazaré, a poucos metros da Basílica da Anunciação. Para os católicos, esse é o local onde o Arcanjo Gabriel avisou a Virgem Maria que ela daria à luz Jesus Cristo.
No dia 23 de novembro, os templos católicos foram fechados por 48 horas. "Desta vez, vamos fazer pressão econômica sobre o governo de Israel", avisa frei Emílio, explicando que, se os templos permanecerem fechados, turistas e peregrinos cristãos não virão e o governo perderá dinheiro. A multidão de turistas que estava sendo esperada em Israel até agora não chegou. O governo informa que há, neste Natal, 10% menos turistas do que no ano passado.
Para frei Emílio, assim como para grande parte dos religiosos
a construção de uma mesquista em Nazaré é uma "provocação".
Esse sentimento dos religiosos católicos é reforçado pelo fato de os muçulmanos quererem erguer a mesquita em homenagem ao guerreiro Shehab el-Din, sobrinho de Saladino, um dos maiores conquistadores muçulmanos, enterrado em Nazaré no século 12 e conhecido por perseguir cristãos durante as Cruzadas.
Além de serem obrigados a passar as comemorações do "Natal do ano 2000" com a perpectiva de construção da mesquita, os religiosos católicos temem a atuação dos fanáticos. "Isso é assunto para a polícia", diz Frei Emílio. "Estamos nos preocupando apenas em dar apoio aos peregrinos", explica.
São esperadas 10 mil pessoas nas festividades de Belém, mas como atualmente a cidade está sob administração da autoridade palestina, as pessoas temem pela falta de experiência dos policiais.
Embora os freis relutem em admitir, eles mesmo estão tomando algumas medidas de segurança. Este ano, os franciscanos resolveram entregar convites para a missa da meia-noite na Igreja de Santa Catarina mediante a apresentação de um documento. De preferência, passaporte. Além disso, o peregrino precisa ir pessoalmente pegar seu convite na Central de Informações Cristãs. Cada pessoa que recebe o passe-livre tem seu nome e o país de origem registrado, controlado pelos freis que organizam o acesso à missa.
Na tarde do dia 23, o alemão Norbert Muller não conseguiu levar convites para todos os amigos que o esperavam em um albergue. Ele não sabia o sobrenome deles.

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