Em tempos de ampla disseminação de notícias falsas (fake news), impulsionada pela rapidez da internet, cabe aos comunicadores compromissados com a realidade dos fatos empenhar-se para difundir a verdade e colaborar para a boa formação de seu público, como determinam os preceitos éticos da profissão. Atenta ao problema, a Igreja Católica chama a atenção dos fiéis para a importância de se buscar a informação correta e os cuidados para distinguir o que é realidade daquilo que é invenção. Neste domingo (13), uma missa celebrada pelo arcebispo dom Geremias Steinmetz, na Catedral Metropolitana de Londrina, comemorou o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema "A verdade vos tornará livres".

A data é sempre comemorada juntamente com a celebração, pelos católicos, da ascensão de Jesus Cristo, que acontece no domingo anterior ao Pentecostes. No Dia Mundial das Comunicações Sociais, os bispos e sacerdotes têm a missão de divulgar aos seus fieis a mensagem do Santo Padre. Anualmente, o papa transmite seu comunicado no dia 24 de janeiro, dedicado a São Francisco de Sales, padroeiro dos comunicadores. "Gostaria de contribuir para prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística também. E a responsabilidade pessoal de cada um da comunicação", disse o papa Francisco em um dos trechos de sua mensagem deste ano.

"Faz 52 anos que a Igreja Católica começou a se preocupar de maneira mais contundente com a questão da comunicação social", explicou o arcebispo de Londrina. "O papa Paulo 6º criou o Dia Mundial das Comunicações Sociais e assim, a igreja começou a refletir sobre essa questão, primeiro no sentido de a comunicação social ser um instrumento de evangelização", destacou. O tema escolhido para 2018, "A verdade vos tornará livres", esclarece dom Geremias, remete ao capítulo oito, versículo 32, do Evangelho de São João.

"Fica muito clara a preocupação do Santo Padre com o poder das chamadas fake news e o jornalismo da paz. Estamos vendo uma inundação de notícias ou publicações mentirosas que dão sinais de ser um aproveitamento político de uma fragilidade. Então, o papa afirma que hoje, no contexto de uma comunicação cada vez mais rápida e dentro de um sistema digital, assistimos ao fenômeno das notícias falsas", ressaltou o arcebispo, salientando que na atual circunstância, é preciso refletir sobre a verdade como um instrumento libertador.

Dom Geremias lembrou que o tema "A Comunicação para Verdade e a Paz" já havia sido escolhido para a Campanha da Fraternidade de 1989 e que essa preocupação ressurge, quase 30 anos depois, por meio do papa Francisco, reforçada pela CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), que em sua última reunião do Conselho Permanente se pronunciou sobre as fake news e o perigo que elas representam à sociedade. "Nós estamos em um mundo político, tudo fervilhando. Uma notícia falsa sobre um bom candidato pode destruir toda uma carreira, todo um trabalho, e omitir o que é verdade pode estragar toda a estrutura de um país, uma estrutura democrática", ponderou.

O arcebispo adiantou que, no Paraná, a Igreja Católica preparou uma cartilha política para ser distribuída aos fieis e aos jornalistas que atuam nos veículos de comunicação do Estado para ajudar no trabalho de combate às fake news. O material está em fase de impressão e deve ser divulgado em breve. "A igreja não pode se pronunciar politicamente no sentido partidário, mas temos que ajudar o povo a distinguir o que é verdade do que não é para fazermos uma eleição limpa, transparente, para que tenhamos não apenas o representante que merecemos, mas o que precisamos para conduzir bem os destinos do nosso país."

A cartilha, explicou dom Geremias, orienta os eleitores para que possam fazer as perguntas certas aos candidatos, auxiliando na escolha nas urnas. "Agora está aí a questão do foro privilegiado, da Lei da Ficha Limpa, da corrupção eleitoral, da auditoria da dívida pública, da educação, da violência, das intervenções do Estado, como está acontecendo no Rio de Janeiro. Tem a questão dos indígenas, dos quilombolas, dos pequenos agricultores, da reforma da Previdência Social, da reforma trabalhista, da prisão da segunda instância, se sim ou não. São todas questões que acho que nossos políticos têm que responder claramente ao nosso povo para que o povo possa saber a quem dar o seu voto", alertou o arcebispo.

SAGRADO CORAÇÃO

No próximo dia 8 de junho, a Igreja Católica comemora o Dia do Sagrado Coração de Jesus, que para os londrinenses têm um significado ainda mais especial por ser o padroeiro do município. Neste ano, a data irá marcar também a reintrodução da imagem do padroeiro na Catedral Metropolitana de Londrina, após ser parcialmente destruída por um ato de vandalismo no dia 3 de janeiro deste ano.
A imagem em gesso, de cerca de 1,80 metro e cerca de 85 quilos, passou por uma restauração e deve voltar a ocupar seu lugar de destaque na Catedral.

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