Igreja avalia que visita foi positiva
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Agência Estado 
Rio de Janeiro
Arquivo folhaPerdãoD. Eugenio Sales afirma que a Igreja acolhe a mulher que faz aborto, desde que ela se confesseA visita do papa João Paulo 2º mostrou que a Igreja Católica segue uma só verdade e não é intransigente, disse ontem o cardeal-arcebispo do Rio, d. Eugenio Sales. Ele admitiu que a mulher que pratica o aborto ou quem comete eutanásia tem direito ao perdão, desde que se confesse com um religioso preparado. A afirmação é surpreendente, se considerado que o aborto é pecado passível de excomunhão. Não se pode esperar que o papa venha dizer algo que seja contra a doutrina da Igreja, mas ele veio mostrar que merecem acolhimento as pessoas que pecam e se arrependem, disse o cardeal.
D. Eugenio disse que a visita de João Paulo 2º restituiu a alegria à cidade. Ele rechaçou as críticas segundo a qual o papa não pode falar de casamento porque nunca foi casado. Posso falar do veneno, sem nunca ter tomado, comparou o cardeal.
O cardeal admitiu que a visita papal, orçada em R$ 6,357 milhões apresenta déficit provisório de R$ 903 mil, que deverá ser coberto quando forem levantadas todas as contribuições das paróquias e as vendas de produtos licenciados pela Arquidiocese. Até ontem foram contabilizados R$ 501 mil em patrocínio, R$ 4,139 milhão em doações e R$ 330 mil das paróquias, além de outras receitas, como parcerias, no valor de R$ 484 mil. D. Eugenio disse que poderá fazer nova campanha entre os fiéis para cobrir eventuais rombos, mas não acredita ser necessário.
O bom humor de João Paulo 2º inspirou o introspectivo cardeal-arcebispo do Rio. Ao se despedir, o arcebispo convidou o papa a passar umas férias na cidade. Quando o senhor quiser passar umas férias, sem ninguém saber, venha para cá, disse d. Eugenio, provocando risos no pontífice. A missa campal do Aterro do Flamengo, que reuniu domingo cerca de 2 milhões de pessoas, foi uma das maiores da História.
O papa não se cansava de agradecer a hospitalidade, e em se tratando de um eslavo, isso é uma enorme demonstração de carinho. O cardeal disse que, no Sumaré, João Paulo 2º andou bastante e descerrou uma placa ao pé de um pau-brasil. Ele cumprimentou todos os operários, e entre eles um que não era católico e ficou muito comovido
Para d. Eugenio, os improvisos, as brincadeiras com a bengala, a referência aos cariocas, demonstram o quanto o papa estava feliz. Todo mundo estava se preocupando com a segurança e, indo para o Sumaré, passando diante de uma favela, o papa mandar abrir os vidros, para ver o povo, contou. O cardeal confirmou que João Paulo 2º queria ser visto pelo povo, motivo pelo qual reclamou do aparato de segurança.
O cardel do Rio elogiou o Movimento Carismático, mas ressalvou abusos. Eu não sou carismático, se eu chegar aqui gritando Aleluia, vocês vão dizer que d. Eugenio pirou. Ele disse que, pelo menos em qualidade, a Igreja ganha com a visita papal
D. Eugenio afirmou ter conversado com a primeira-dama Ruth Cardoso. Ela me disse que não era verdade o que havia sido publicado sobre sua defesa do aborto. O cardeal negou que tenha brigado com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e que seu poder tenha aumentado na Igreja. Não me interessa o poder, mas o serviço à verdade de Cristo e à Igreja.


