Recife - A divulgação de que os foliões terão oferta da ''pílula do dia seguinte'' em postos de saúde da prefeitura do Recife a serem instalados em pleno foco do Carnaval provocou reação imediata da Igreja Católica. O coordenador arquidiocesano da Pastoral da Saúde, o biomédico Vandson Holanda, considerou a medida ''uma aberração'' e um desserviço à população, na medida em que, segundo ele, estimula o sexo e o aborto.
Ele enviou documento ao prefeito João Paulo (PT) pedindo explicações sobre o assunto e adiantou que se a prefeitura mantiver a medida ele vai procurar o Ministério Público ou a justiça para impedir a ação. ''O medicamento é abortivo e a Igreja é contra o aborto'', justifica ele, ao destacar que o caso assume maior dimensão por ocorrer em uma cidade violenta.
Favorável à iniciativa da prefeitura, o Fórum de Mulheres de Pernambuco repudiou a atitude da pastoral arquidiocesana. Em nota, afirmou ser ''uma questão de saúde'' a defesa dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos para todas as pessoas, assim como a defesa do direito à vida e à saúde para todas as mulheres.
Para o secretário de Saúde de Olinda, João Veiga, a pílula do dia seguinte é uma droga com efeitos colaterais cujo uso deve ser prescrito por um médico e não deve ser alvo de propaganda. Em Olinda, observou ele, se uma mulher é estuprada, ela vai a um posto de saúde onde é atendida, toma a primeira dose do medicamento na vista do médico que o prescreveu e em seguida é encaminhada para a maternidade estadual Agamenom Magalhães, no Recife, onde recebe vacina para Hepatite B e coquetel anti-Aids. ''Quando se estimula o uso da pílula do dia seguinte se desestimula o uso do sexo seguro'', ponderou.
A gerente de Atenção à Saúde da Mulher do Recife, Benita Spinelli, esclareceu que o contraceptivo de emergência não será distribuído como as camisinhas. ''Não se trata de uma atitude leviana ou fora do contexto'', explicou.

mockup