Rio, 07 (AE) - O governo termina até março um projeto para facilitar e aumentar o crédito imobiliário no Brasil. Entre as propostas em estudo está alterar o indexador da caderneta de poupança que regula essas operações: em vez da Taxa Referencial (TR), seria utilizado o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM). A informação foi dada hoje pelo diretor de Normas do Banco Central, Sergio Darcy, após uma reunião do grupo de acompanhamento de mercado de capitais e poupança de longo prazo, no Rio de Janeiro.
"Ainda estamos avaliando, mas essa é uma das possibilidade", afirmou Darcy. A intenção do governo é compensar a estagnação do volume de recursos aplicados na caderneta de poupança nos últimos anos.
A baixa rentabilidade dessas aplicações tem levado o poupador a optar pelos fundos de investimento, que dobraram sua captação no ano passado. "O projeto visa diminuir o desequilíbrio entre o valor das prestações e o nível de renda do mutuário."
Darcy contesta as críticas de que a mudança no indexador possa encarecer os contratos para os novos mutuários. Ele acredita que o IGPM está em uma trajetória de queda e a grande diferença entre esse indexador e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de meta de inflação para o governo, não deve repetir-se nos próximos anos. "Sabemos que esta não é uma questão simples, não se pode ser milagroso", disse.
Segundo ele, a redução do custo para o mutuário viria com a esperada queda da inflação. Em contrapartida, o novo indexador estimularia o brasileiro a investidor na caderneta de poupança. O resultado seria um volume maior de recursos destinados a projetos imobiliários.
A equipe econômica trabalha também para estimular a poupança de longo prazo, com interesse nos investidores institucionais. O diretor acredita que o crescimento dos fundos previdenciários nos próximos anos vai estimular a indústria imobiliária. "Com a queda dos juros, o setor vai buscar aplicações mais rentáveis e os projetos imobiliários serão uma boa alternativa", explicou.
O projeto prevê ainda mexer nas taxas cobradas pelos cartórios. Os custos chegam a 6% das operações entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. A intenção é baixar esse porcentual à metade.

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