Rio, 29 (AE) - A inflação entre 21 de agosto a 20 de setembro foi de 1,45%, segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O resultado foi fortemente influenciado pelas altas dos preços do feijão (41,44%) e da soja (16,8%), que, juntos, contribuíram com 0,66 ponto percentual da taxa final.
A variação foi menor do que o IGPM de agosto, que ficou em 1,56%, mas assim mesmo ficou acima do 1% previsto no início do mês pelo chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Mello Cota, responsável pelo cálculo do índice. Ele explicou que a entressafra provocou o reajuste do preço do feijão, enquanto que a soja sofreu o efeito da alta do seu preço no mercado internacional, ao lado da elevação do valor do dólar.
Este duplo aumento também afetou as altas da cana-de-açúcar (4,6%) e do milho (4%), explicou o economista da FGV. As quedas de preço de produtos agrícolas como o mamão (18 6%) e tomate (22,9%) foram insuficientes para conter a tendência nos preços do atacado, que aumentaram 2,16%. O resultado também foi influenciado pela alta de produtos industriais como os do setor metalúrgico (2,82%) e mecânico (2,39%).
A indústria foi pressionada pela alta de 4,10% dos combustíveis e lubrificantes - um fator que deixará de influenciar a partir do próximo mês, avisou Mello Cota. A alta dos produtos agrícolas também influenciou a variação de 0,37% no consumo. Os alimentos vendidos para o consumidor tiveram aumento de 0,34%. Os custos da construção civil, que também é usado no cálculo do IGPM, aumentou 0,52%, por causa da variação de 1,56% dos materiais e serviços.
Mello Cota afirmou que em outubro a inflação deve ser menor, com a tendência de reversão dos preços dos produtos agrícolas, caso o dólar se estabilize. O IGPM acumulado neste ano chegou a 13,29%. Nos últimos 12 meses, o custo de vida aumentou 13,52%, de acordo com o índice.

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