Rio, 29 (AE) - A inflação de abril foi de 0,71%, segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O número mostra um recuo do custo de vida para os mesmos níveis de antes da desvalorização do real, em janeiro, quando o IGPM fechou em 0,84%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, afirmou que o recuo no preço dos alimentos é o grande responsável pela queda da inflação. Após a alta de 4,12% dos produtos agrícolas em março, a FGV-RJ registrou deflação de 1,83% para este grupo.
Segundo o economista, as causas do fenômeno foram a queda do dólar, a boa safra de cereais e grãos, que tiveram deflação de 3,9%, e o clima ameno, que beneficiou a cultura de legumes e frutas, cujos preços caíram 6,9% em janeiro. Com o recuo do dólar, os preços dos produtos agrícolas para exportação tiveram deflação de 9,36% neste mês.
A revalorização do real também contribuiu para que os preços dos produtos industriais, que haviam aumentado 4,17% em março e tiveram alta de apenas 2,03% neste mês. Segundo Melo Cota, a tendência é de a inflação continuar a descer, com as quedas do juros e do preço do dólar, aliados à recessão, que bloqueia os efeitos de aumentos de tarifas públicas e do vestuário, com a entrada da nova coleção outono-inverno. Segundo o economista, novas quedas de juros podem ter maior influência nos resultados baixos da inflação.
Com o resultado de abril, a inflação acumulada no ano chega a 8,21%, e o IGPM dos últimos 12 meses ficou em 8,45%. Dos três índices que compõem o IGPM, o Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou neste mês a maior alta, de 0,76%. O Índice de Preços ao Consumidor, de 0,67%. O Índice Nacional de Custos da Construção Civil, de peso menor no cálculo do IGPM, teve variação de 0,58%.

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