Rio, 18 (AE) - Os reajustes dos preços dos combustíveis e das tarifas de transporte público, autorizados em março, pressionaram os preços no varejo em abril. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou hoje que a segunda prévia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com coleta entre 21 de março e 10 de abril no Rio e em São Paulo, ficou em 0,42%, ante 0,31% no mês anterior. Com isso, o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM) fechou a segunda prévia em 0,27%.
Nos outros componentes do IGPM também houve alta: 0,12% no Índice de Preços no Atacado (IPA) e 0,65% no Índice Nacional do Custo da Construção (INCC). No mês passado, a FGV havia apurado deflação de 0,05% na segunda prévia do IGPM.
O item transportes do IPC subiu 1,48% este mês, mais do que o dobro da alta de 0,69% registrada na segunda prévia de março. Além do aumento da gasolina, houve reajuste dos preços dos trens e ônibus no Rio. "Mas o efeitos destes reajustes se esgotam este mês", avaliou o chefe do centro de estudos de preços da FGV, Paulo Sidney de Melo Cota. Pelas projeções de Cota, o IGPM fechado de abril deve ficar em 0,35%, "dentro das expectativas". O IGPM de março foi de 0,15%.
Alimentação também subiu na segunda prévia deste mês, apesar de a alta não ter sido expressiva: 0,20%. Na mesma prévia de março, o item havia apresentado deflação de 0,02%. A pressão veio das hortaliças e legumes, cujo aumento foi de 5,60%, já que os preços dos outros alimentos estão em queda. "Esta pressão não era para acontecer nesta época do ano", disse o economista. Ainda no varejo, a queda dos preços do vestuário também sofreu desaceleração: passou de 1,04% para 0,08%.
No atacado, a queda dos preços dos produtos agrícolas foi menor este mês. Os preços, que haviam caído 2,02% na segunda prévia de março, tiveram redução de 0,35% este mês. Mas o segmento de bovinos ainda apresenta uma boa alta, segundo Cota, o que para ele também não é normal para o período. Na segunda prévia do mês passado, o IPA havia registrado queda de 0,37%, e agora houve aumento de 0,12%.
No segmento de produtos industriais, o crescimento ficou estável. De 0,34% na segunda prévia de março, passou para 0,32%. "Se não tivesse havido o aumento dos combustíveis, o reajuste nos industriais teria sido bem menor", explicou Cota. "O segmento tem potencial grande de queda a partir de agora", concluiu. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1

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