Rio, 20 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas registrou deflação de 0,05% entre os dias 21 de fevereiro e 10 de março, de acordo com a segunda prévia do IGPM deste mês, divulgada hoje. A queda teve maior pressão no atacado, onde os preços caíram 0,37%, mas os aumentos dos combustíveis e das tarifas dos transportes provocaram alta de 0,31% do custo de vida no varejo.
Na segunda prévia do IGPM em fevereiro, a FGV-RJ registrou alta de 0,15%. No ano passado, a segunda prévia de março, logo após a desvalorização cambial, mostrou alta de 2 38%. O IGPM acumulado neste ano chegou a 1,54%, e o dos últimos 12 meses a 13,5%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, previu que, neste mês, o índice fechado, que mede o custo de vida até o dia 20, fique entre zero e 0,20%.
O economista afirmou que a alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), enquanto o Índice de Preços ao Atacado (IPA) entrou em queda, já era esperada, por causa do reajuste dos combustíveis, das tarifas de transportes públicos e de água e esgoto. Melo Cota informou que estes preços não devem continuar a pressionar o IPC no mês que vem - mas a partir de abril, o índice vai ser influenciado pelos aumentos das tarifas e dos planos de saúde.
Melo Cota afirmou que a segunda prévia captou alta de 2% no preço dos combustíveis para o consumidor. Aliado à elevação de 1,43% do preço dos automóveis novos, o reajuste provocou o aumento de 0,69% do grupo de produtos e serviços de transportes. "Isso ainda vai aumentar mais, porque há o resto da alta da gasolina e das tarifas de trem urbano e ônibus para serem computados", previu.
A queda de preços dos alimentos, de 0,02%, e das roupas e calçados, de 1,04%, também deve perder a força daqui em diante
tendo menos impacto no Índice de Preços ao Consumidor (IPC). "Os alimentos estão praticamente estabilizados", avaliou o economista da FGV-RJ. A deflação no vestuário deve ser interrompida com o fim das liquidações.
No atacado, a deflação continua a ser resultado da queda dos preços dos produtos agrícolas, de 2,02% no período, por causa da entrada da nova safra. As reduções mais importantes foram no preço dos bovinos (4,99%), milho (8,66%), café em côco (12,58%) e feijão (11,68%). Os produtos industriais sofreram alta de 0,34%. O aumento de maior peso foi o do minério de cobre
de 17,35%, por causa da alta da cotação do produto no mercado internacional.

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