IGPM aponta deflação de 0,002% na primeira prévia
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 10 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) apurou uma pequena deflação, de 0,002%, nos dez últimos dias de fevereiro, período em que se mede a primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) deste mês.
A queda da inflação, no entanto, ocorreu somente no atacado, com redução de 0,21% dos preços. Para os consumidores, a inflação aumentou 0,22% no período. Foi a primeira deflação na primeira prévia do IGPM desde os últimos dez dias de julho de 1999, quando o índice caiu 0,07%. O resultado, próximo de zero, ficou bem abaixo da primeira prévia do IGPM de fevereiro, que mostrou alta de 0,21%.
O economista da FGV-RJ Elivaldo Pereira Conceição afirmou que a falta de renda dos consumidores está impedindo novos aumentos no varejo e reduzindo os preços no comércio entre as empresas, no varejo. "Há uma entrada de safra e excesso de oferta por causa do baixo poder aquisitivo e do desemprego alto", afirmou Conceição. A perspectiva de que a situação econômica melhore também freia os gastos dos consumidores, que esperam uma melhor oportunidade. "As pessoas preferem não gastar agora, ou gastar racionalmente", explicou.
A nova safra provocou a queda de 1,30% dos preços dos produtos agrícolas no atacado, segundo a FGV-RJ. Entre as quedas
Conceição destacou a redução de 4,90% da cotação dos bovinos e de 6,67% do milho.
Os produtos industriais tiveram aumento médio de apenas 0,25%. A alta de maior peso no cálculo da inflação foi a do minério de cobre, que teve reajuste de 17,75%, por causa da recupação do valor do produto no mercado internacional.
A pequena inflação no varejo foi consequência das altas de 1,10% dos produtos e serviços de educação, leitura e recreação, de 0,59% no grupo saúde e cuidados pessoais, e de 0 53% dos gastos com habitação. Estes aumentos foram compensados pelas quedas de preço do vestuário, de 1,57%, despesas diversas, de 0,28%, e alimentação, de 0,13% - onde a deflação dos produtos agrícolas foi parcialmente repassada.
Previsão - O economista da FGV-RJ previu que uma taxa de inflação entre zero e 0,20% para o IGPM, que é calculado entre os dez últimos dias do mês anterior e os vinte primeiros do mês vigente. O resultado pode ser alterado pela influência do reajuste das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e dos derivados do petróleo, ressalvou.


