Rio, 27 (AE) - A primeira taxa de inflação do ano, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), ficou em 1,24%. O resultado está dentro das expectativas e representa um bom sinal
diante dos últimos meses do ano passado, segundo o chefe de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Sidney de Melo Cota. De junho a novembro, o IGPM sofreu sucessivas altas, batendo o pico mensal de 2,39%. Em dezembro, a taxa caiu para 1 8% e agora, pela segunda vez, registra queda.
O economista está ainda mais otimista para fevereiro, quando a taxa pode retornar a níveis abaixo de 1%, mas diz que ainda é cedo para previsões sobre a trajetória da inflação por um período mais longo, apesar do quadro positivo da economia. "Este ano não temos os fatores que puxaram a alta da inflação, como desvalorização cambial", afirma.
"Até mesmo os sérios problemas com o clima, que encarecem os preços dos produtos agrícolas, dificilmente se repetirão com a mesma intensidade." Para ele, os únicos motivos de preocupação, por enquanto, são a alta do preço internacional do petróleo, perto de US$ 30 o barril (no início do ano passado ficava em torno de US$ 10), e o aumento das tarifas públicas. O Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), segundo cálculos da FGV, sofreu variação média superior a 50%. Junto com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o tributo terá influência sobre as taxas de fevereiro, março e abril.
Os preços no atacado, que mais contribuíram para a inflação acumulada de 8,79% em 1999, na medição do IGPM, começam a ceder. A alta de 2,6% registrada nos preços em dezembro passou para 1,29% em janeiro, resultado do recuo da cotação do dólar, cotado hoje a R$ 1,7800. Em novembro do ano passado, o câmbio chegou a R$ 2,00. Também desapareceram os efeitos da longa estiagem que prejudicou a atividade agrícola. "Em fevereiro e março, o resultado será melhor por causa das novas safras", diz Cota.
A inflação no varejo continua num ritmo mais lento, confirmando a tendência que se manteve durante todo o ano passado, mas este mês está sendo pressionado pelo reajuste das mensalidades e pelo aumento do material escolar. Em dezembro, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) revelou alta de 0,62. Este mês, pulou para 1,17%. Além do enorme salto do item Educação, que passou de 0,15% para 2,13%, também o grupo Alimentação, que passou de 1,07% para 2,40%, teve peso no resultado.
No cálculo geral da inflação, o IPA tem peso de 58%; o IPC contribui com 31% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que também aumentou muito de dezembro (0,06%) para janeiro (0,58%), tem peso de 11%.

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