IGPDI de junho fica em 1,02%
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 8 (AE) - A inflação no mês de junho chegou a 1,02%, segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGPDI), que mede o custo de vida entre o primeiro e o último dia do mês, divulgado hoje (8) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, previu que, em julho, a inflação ficará em torno de 2% e impedirá novas reduções na taxa de juros pelo menos até a segunda quinzena de agosto.
"Julho vai ter a inflação mais alta do segundo semestre", afirmou Sidney. Ele explicou que, neste mês, por causa do clima, haverá maior pressão para a alta dos preços dos produtos agrícolas, por causa do clima, e a continuação dos reajustes dos produtos agropecuários.
Além disso, a alta dos combustíveis e das tarifas de energia vai influenciar os preços da indústria. Os dois fatores vão aumentar os preços da alimentação e dos gastos de habitação, no varejo, que também deve ser influenciado pelo aumento do preço do vestuário e dos serviços de saúde.
Estes fatores já contribuíram para que a inflação de junho ficasse 1,02% ponto porcentual acima da de maio, quando o IGPDI registrou deflação de 0,34%. O Índice de Preços do Atacado (IPA) ficou em 1,35%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), em 0,65%, e o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) aumentou 0,041%.
Juros - Para o economista, o Banco Central terá de interromper a queda dos juros, para que eles não fiquem abaixo da alta do custo de vida esperada no mês, e estimulem o consumo, ao invés da poupança, gerando mais inflação. "Uma taxa anual de 21% de juros ao ano dá 1,3% ou 1,4% ao mês, e a maior parte dos índices de preços vão acima desta faixa", afirmou Cota.
"Momento propício para uma nova redução, só na segunda quinzena de agosto", previu o economista. A partir de agosto, cessará a influência do clima na agricultura, com a redução da oferta, e dos reajustes das tarifas públicas, explicou. A nova trajetória declinante iria até novembro, quando o aquecimento da economia por causa do Natal provocará novas altas, segundo estimativa do chefe do Centro de Estudos de Preços.
Cota lembrou, no entanto, que os combustíveis devem ter mais reajustes, porque o governo demonstrou que, toda vez que o preço do petróleo aumentar no mercado internacional, será dado novo aumento. O economista afirmou estar preocupado com uma "pequena incompatibilidade" entre as taxas de crescimento e inflação para o próximo ano.
Margem de lucro - Segundo explicou o chefe do Centro de Estudo de Preços, se houver o crescimento econômico previsto para o próximo ano, será difícil a inflação não aumentar - porque seria o momento de as empresas recuperarem as margens de lucro que perderam neste ano, ao não repassar para os preços o efeito da desvalorização do real, por causa da recessão.
"Tivemos desvalorização muito grande, aumento muito grande de tarifas e resposta pequena nos preços", lembrou o economista. "Houve redução das margens de lucro, que os empresários vão tentar recuperar na primeira oportunidade, quando a economia voltar a crescer", alertou.


