IGPDI aponta inflação de 13,45% no ano; meta com o FMI foi superada
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 07 (AE) - A inflação entre janeiro e setembro, medida pelo Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGPDI) ficou em 13,45%, segundo divulgou hoje a Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro (FGV-RJ). A alta superou o compromisso de inflação anual de 12% pelo IGPDI, que havia sido acertado pelo governo federal no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O IGPDI deve ficar entre 15% e 16% no ano, previu o chefe do Centro de Estudos de Preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, responsável pelo cálculo do índice. "Eles vão acabar acertando a meta do primeiro acordo", brincou o economista. Na primeira versão do acordo, o governo e o FMI haviam previsto inflação de 16%.
A maior influência da alta do IGPDI vem dos preços no atacado, que aumentaram 19,39% até setembro, neste ano. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), no mesmo período, teve alta de 6 29%. E o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), terceiro e menos importante índice para o cálculo da inflação da FGV, aumentou 6,03%.
O economista calcula que a inflação no atacado chegue a 21% no ano, enquanto que o custo de vida para o consumidor fique entre 8% e 10%. Ele explicou que a redução da atividade econômica impede o repasse de aumentos para o varejo. "Não há como o preço subir, enquanto estivermos em recessão", afirmou.
Inflação de setembro - O IGPDI de setembro ficou em 1 47%. A taxa, 0,02 ponto percentual acima da de agosto, contrariou as previsões do chefe do Centro de Estudo de Preços, Paulo Sidney Mello Cota, responsável pelo cálculo do índice. "A expectativa era de que o IGPDI ficasse em menos de 1%", lembrou o economista.
Ele explicou que o resultado foi maior por causa da alta do dólar e da estiagem. Os dois fatores influenciaram os preços de produtos agrícolas no atacado, onde houve a maior pressão para o custo de vida. O Índice de Preços por Atacado (IPA) chegou a 2,30% - 0,15 ponto percentual acima do de agosto. O IPC variou 0,19% - o que representou queda de 0,29 ponto percentual em relação à taxa de agosto. A alta do INCC foi de 0,86%. Em agosto, a taxa havia sido 0,17 ponto percentual menor.
No atacado, embora os legumes e frutas tenham tido uma redução de 13,92% dos preços, o fato foi neutralizado por altas como as de 14,39% da soja, 27,86% do feijão e 6,06% dos bovinos, no mês passado. "Tivemos as altas e quedas mais espetaculares entre os agrícolas", afirmou Melo Cota. A pressão do dólar também impediu que a redução dos preços dos produtos industriais fosse maior. A alta para este grupo, em setembro, foi de 2,06%, enquanto que em agosto chegou a 2,15%.
A queda maior nos preços do consumo foi resultado do fim da influência do aumento das tarifas na habitação, cujo custo teve queda de 0,05%, e do reajuste dos planos de saúde para os produtos de saúde e cuidados pessoais, que aumentaram apenas 0 09%. A maior alta, para o consumidor, foi do vestuário, de 1 27%. No INCC, a maior variação foi a dos materiais de construção
que aumentaram 1,57%, por causa dos preços do dólar, da tinta e do ferro.
Outubro - Segundo Melo Cota, o IGPDI tem condições de ficar entre 0,5% e 1% neste mês. Mas esta alta pode ser maior se o dólar ficar em média entre R$ 1,95 e R$ 2,00 e o clima frio continuar a prejudicar a agricultura. "A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia é de que outubro seja um mês de entrada de várias frentes frias", lembrou.
A Confederação Nacional das Indústrias (CNI), no boletim Informe Conjuntural divulgado hoje, informou que os combustíveis também devem continuar a afetar os preços dos produtos industriais. De acordo com os analistas da entidade, os preços no atacado para o setor devem ficar entre 1% e 1,5% neste mês.


