Rio, 11 (AE) - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI) de março ficou em 0,18%. O número, divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), ficou praticamente estável em comparação com o resultado de fevereiro, que foi de 0,19%. No acumulado de janeiro a março deste ano, o IGPDI apresenta alta de 1,41%, contra os 7,72% do mesmo período de 1999.
O IGPDI é formado por três índices. O mais importante é o Índice de Preços no Atacado (IPA), que apresentou deflação de 0,05%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,51%. E o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), de menor peso, apresentou a maior alta, de 0,56%.
Segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ
Paulo Sidney Melo Cota, o maior responsável pela inflação no mês passado foi o combustível, reajustadosem 7% no dia primeiro de março. "Como o IGPDI é calculado do dia primeiro ao dia 30 ele captou totalmente o impacto do reajuste dos combustíveis nos preços do atacado e do varejo", disse Cota.
Por conta do aumento dos combustíveis, o setor de transportes apresentou o maior índice de alta: 2,28%. O setor de produtos agrícolas ajudou a segurar a taxa no mês passado com uma deflação de 1,58%. Entre os produtos que apresentaram as maiores baixas está o chuchu, vilão da inflação em anos anteriores, que em março registrou queda de 73,14%. O preço da carne de boi caiu 3,27%, e a dos suínos, 10,24%, por causa do início da temporada de safra destes produtos. Cota previu que, neste mês, o IGPDI deve ficar entre 0,10% e 0,20%.
Ele acredita que acabaram as pressões por conta do reajuste de preço dos combustíveis. Para o ano, a previsão do técnico da FGV está mantida e a taxa deve fechar em 6%.
Núcleo - A FGV-RJ também divulgou a pesquisa de março sobre o novo índice do núcleo da inflação, que não leva em consideração os efeitos de alta e baixa de preços de alguns ítens. Em março, a taxa ficou em 0,24%, contra 0,17% de fevereiro. Segundo Antônio Porto Gonçalves, diretor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre), a taxa mostra que o núcleo da inflação brasileira está estabilizada. " Acredito que a taxa mensal deve ficar por volta de 0,20% até dezembro, o que dará uma taxa anual de 3%", previu.
Em março, foram retirados do cálculo do núcleo da inflação os efeitos do reajuste dos combustíveis, que representou uma alta méida de 3,54% no mês passado, das hortaliças e legumes, com alta de 7,88%, e das carnes de boi e porco. Esses produtos foram os que apresentaram as maiores variações em março, e por isso foram retirados do cálculo do índice do núcleo, mas vão voltar ao cálculo do índice deste mês.

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