IGP-M fica em 2,83% e confirma tendência de queda da inflação
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 30 (AE) - A inflação entre os dias 21 de fevereiro e 20 de março ficou em 2,83%, segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de março, divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O número ficou 0,78 ponto percentual menor do que o IGP-M de fevereiro, que foi de 3,61%. "A inflação é claramente descendente", afirmou o economista Paulo Sidney Mello Cota, coordenador do Centro de Estudos de Preços da FGV, responsável pela elaboração do índice.
Os maiores aumentos captados pela FGV, como no mês passado, foram nos preços do varejo, onde a alta chegou a 4,16%. Mas em fevereiro, o aumento foi de 5,82%. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ficou em 1,19%, contra o resultado de 0,97% no mês anterior. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) variou apenas 0,99% - acima dos 0,62% de fevereiro, mas ainda o índice mais baixo dos que compõem o IGP-M.
Cota explicou que o resultado de março reflete a influência na queda do dólar nos preços de produtos agrícolas e da indústria extrativa mineral, que são cotados no mercado internacional. Ele alertou que os preços de produtos da indústria de transformação devem continuar a refletir a alta do dólar, mas de maneira diluída.
A variação dos produtos agrícolas foi de 4,12%, enquanto que, em fevereiro, atingiu 6,99%. Os produtos industriais aumentaram 4,17% em fevereiro, contra o índice de 5,26% alcançado em fevereiro. "A diferença grande mesmo foi na parte extrativa mineral, que chegou a 11,9% no mês passado e aumentou apenas 1,95%", afirmou Cota.
A variação captada na indústria de transformação foi de 4,35% - pouco menos do que o porcentual de 4,76%. Segundo o economista, o fato indica que o setor vai espalhar pelos próximos meses o impacto do reajuste das matérias-primas.
A inflação no varejo teve menor influência dessa mudança dos preços no atacado, constatou o economista. Ele lembrou que 30% do IPC é formado por serviços, que não têm influência do dólar.
O chefe do Centro de Estudos de Preços acredita que a tendência é de que o governo consiga atingir a meta de 16,8% de inflação anual, como acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), baseado no Índice de Preços ao Consumidor de Disponibilidade Interna (IGPDI), também calculado pela FGV-RJ.
IGPDI - O IGPDI de março deve ficar em torno de 2%, de acordo com ele, e a inflação deve ficar entre 1% e 1,5% no fim do trimestre. A inflação acumulada de janeiro a março, pelo IGPM
chegou a 7,44%, e a expectativa de Cota é que chegue a 11% no primeiro semestre.
O economista José Márcio Camargo, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e da consultoria Tendências, mostrou-se surpreso com a queda da inflação antes do esperado. Mas ele alertou que ainda é cedo para o governo baixar a taxa de juros, porque não há confirmação de que a redução continue.
"O pior dos mundos é se os juros baixarem e a inflação voltar", alertou. "Não daria mais para segurar."


