Rio, 18 (AE) - A inflação entre 21 de fevereiro e 10 de março ficou em 2,38% no Rio de Janeiro e em São Paulo, de acordo com a segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). Responsável pela elaboração do índice, o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney de Mello Cota, disse que o número já mostra tendência de queda da inflação a partir deste mês.
"A explosão esperada nos preços ao consumidor não vai existir", afirmou Sidney. "O aspecto doloroso é que o principal agente para isso é a recessão". Os preços para o consumidor tiveram variação de apenas 1,03% e os da construção civil aumentaram 0,82% no período pesquisado. O economista explicou que a estagnação econômica, ao diminuir o poder aquisitivo da população, impede o repasse de aumentos nos produtos causados pela alta do dólar.
Os produtores de matéria-prima absorveram parte do aumento provocado pela desvalorização do real ao negociar com a indústria de transformação - que também evitou grandes reajustes ao fornecer seus produtos para o comércio.O repasse também foi interrompido para os consumidores, segundo Sidney.
Os preços no atacado, que têm o maior peso no cálculo do IGPM, tiveram a maior alta nesta prévia, de 2,38%. No entanto, produtos agrícolas que haviam aumentado até 40% em fevereiro já tiveram quedas de preço. Entre eles estão o trigo, cujo valor baixou 2,16%, a cana de açúcar, com queda de 2,25% no preço, e o arroz em casca, com redução de 5,59%. "São produtos que estavam contribuindo para o crescimento e agora ajudam na redução do índice", afirmou Sidney.
"O aumento do preço coincidiu com o pico do desemprego, e o poder aquisitivo da sociedade ficou menor", lembrou o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ. A inflação de todo o mês de março, medida pelo Índice Geral de Preços ao Consumidor de Disponbilidade Interna (IGP-DI), deve ficar entre 3% e 3,5%, na previsão de Sidney. No mês passado, o índice chegou a 4,44%.
Sidney previu que o aumento dos preços dos combustíveis, a partir do dia 11, vai causar influência nos preços do atacado. Mesmo assim, a tendência de queda deve se manter. Desta forma, para o economista, o Brasil pode cumprir a meta de inflação anual de 16,8%, como foi acertado no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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