IGP-M aponta inflação de 0,15%
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 30 (AE) - A inflação entre os dias 21 de fevereiro e 20 de março aumentou 0,15%, segundo o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O índice ficou menor do que o registrado em fevereiro, quando a variação chegou a 0,35%, e bem inferior ao IGPM de março de 1999, que chegou a 2,83%, logo após a alta do dólar. Foi o menor índice desde maio do ano passado, quando o IGPM captou deflação de 0,29%.
A pequena variação foi influenciada pela queda dos preços no atacado, onde a FGV-RJ registrou deflação de 0,06%. A retração compensou a alta de 0,34% dos preços do varejo e de 0 82% dos custos da construção civil - os outros dois componentes usados no cálculo do índice da fundação. O IGPM acumulado nos três primeiros meses do ano é de 1,75%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, afirmou que o IGPM, neste ano, ficará entre 6% e 7%, se não houver mais reajustes de combustíveis por causa do acordo de aumento da produção de petróleo celebrado esta semana pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
O governo usa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para fixar a meta de inflação de 6% neste ano. Mas o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede o custo de vida no varejo, assim como o IPCA, também deve ficar entre 6% e 7%, afirmou Melo Cota. A diferença é que o IPC é medido apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro e o IPCA, nas seis maiores regiões metropolitanas do País.
Tarifas - O reajuste das tarifas, que também poderia pressionar a inflação, não vai representar um risco, na análise do economista. Ele lembrou que as tarifas públicas são corrigidas, a partir de julho, justamente pelo IGPM acumulado em 12 meses - que já caiu para 13,74% com o resultado de março. "O reajuste deverá ser até um pouco menor", informou.
Para abril, Melo Cota prevê que o IGPM fique em 0,5%. "Talvez haja uma pressão do vestuário", afirmou. "Os preços do grupo podem não aumentar, mas também não vão abaixar mais", previu o economista. Os artigos de vestuário tiveram queda de 1 29% neste mês, segundo o IGPM, por causa das liquidações.
A deflação no IPA, em fevereiro, foi resultado da deflação de 1,80% dos produtos agrícolas. As principais quedas foram dos preços dos bovinos (5,23%), milho (9,85%), café em côco (12,09%) e feijão (11,42%). Os produtos industriais tiveram alta de 0,70%, segundo o IPA, por causa da alta de 2,56% do valor dos combustíveis e lubrificantes.
A alta dos combustíveis também influenciou o IPC, onde a maior pressão foi dos preços dos transportes, que aumentaram 1 42%, por causa do reajuste de 3,21% da gasolina e de 1,98% da passagem dos ônibus urbanos. Os preços dos alimentos, que em fevereiro tiveram queda de 0,42%, neste mês voltaram a subir no varejo, com variação de 0,28%, por causa da alta de 7,88% das hortaliças e legumes e de 4,87% dos adoçantes.


