IGP-DI sobe 3,29 pontos e aponta inflação de 4,44% em fevereiro
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 10 (AE) - A inflação de fevereiro foi de 4,44%, segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI), que mediu a evolução dos preços entre os dias 1º e 28 do mês passado, e foi divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O índice foi 3,29 pontos porcentuais acima do resultado de janeiro (1,15%).
A inflação acumulada nos últimos 12 meses pelo IGP-DI é de 6,48%, mas somente os dois primeiros meses deste ano responderam por 5,64%. O índice foi o maior registrado pela FGV-RJ desde julho de 1994, no início do Plano Real, quando o IGP-DI ficou em 5,47%.
Os preços no atacado, que têm maior peso no cálculo do índice, foram os grandes responsáveis pela alta da inflação, com alta de 6,99% - 5,41 pontos porcentuais acima do registrado em janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 1 41%, e o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), de 0 98%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Mello Cota, afirmou que há uma tendência de redução da inflação a partir deste mês, se continuar a trajetória de recuperação do valor do real. Neste caso, acredita Sidney, a maior alta de preços deste ano será captada pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) deste mês, que mede a alta da inflação desde o dia 11 de fevereiro até hoje, e vai ser divulgado no dia 19.
"Vai haver uma queda", avisou. "Mas não tão substancial." Ele já espera a queda de preços cotados em dólar, como os do minério de ferro e carvão e produtos primários agrícolas, cujos aumentos em fevereiro foram a principal causa da inflação registrada pelo IGP-DI.
Para o economista, a indústria da transformação também foi atingida no mês passado pela desvalorização do real, mas este impacto vai ser menor no varejo, com o recuo do valor da moeda norte-americana.
"O impacto já seria menor, pela resistência natural, com a negociação entre supermercados e fornecedores e a procura desaquecida", afirmou Sidney. "Não vamos ter espiral inflacionária, mas repasses, que, com a redução do dólar, vão ser menores."
A alta dos preços para o consumidor vai sofrer outras influências, lembrou o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ. Uma destas influências é o reajuste das tarifas públicas
previsto a partir de abril. Outra seria o lançamento das novas coleções da próxima estação, que provocaria uma alta nos preços das roupas, cujo valor está em queda.
Para Cota, o aumento dos combustíveis vai ter uma influência de apenas 0,55 ponto porcentual sobre os preços no atacado. Além disso, essa influência será diluída - dois terços serão captadas neste mês, e o outro terço, em abril.


