Rio, 8 (AE) - A inflação de março foi de 1,98%, segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI), medido entre o primeiro e o último dia do mês pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). A variação foi 2,46 pontos percentuais menor do que a de fevereiro. Com o resultado, o índice acumulou inflação de 7,62% no primeiro trimestre.
A reversão da alta nos preços do atacado foi o principal fator para a queda acentuada da inflação, afirmou o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, responsável pelo cálculo do IGP-DI, Paulo Sidney Mello Cota. O Índice de Preços por Atacado (IPA) variou 2,84%, contra um aumento de 6,99% em março.
Os outros índices que compõem o IGP-DI também tiveram altas menores do que as captadas em fevereiro pela FGV-RJ. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi de 0,95% contra 1,41% no mês anterior, e o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) variou 0,55%, contra uma alta de 0,98% em fevereiro.
Os resultados fizeram Sidney estimar uma média de inflação de 1% no restante dos meses do ano, e prever a inflação anual "em torno de 16%".
Reversão - O reflexo da queda do dólar em produtos agrícolas e minerais que têm seu valor cotado pela moeda norteamericana influenciaram o resultado do IGP-DI, explicou Sidney.
Alguns produtos cujos reajustes tiveram forte influência na inflação de 4,44% em fevereiro registraram quedas de preço, como o trigo, que baixou 2,77%, o milho, cujo valor recuou 3,29%
e o minério de alumínio, que teve uma queda de 6,08% no preço.
Sidney avisou que, enquanto o IPA de abril deve ser menor do que o apurado em março, os preços cobrados ao consumidor devem continuar altos. O economista explicou que o impacto da alta do dólar em fevereiro ainda é absorvido, de forma diluída, nos produtos vendidos no varejo.
A entrada da nova coleção de moda outono-inverno e os aumentos das tarifas de energia e combustíveis também devem ter impacto na alta do IPC em abril, mês no qual o chefe do Centro de Estudos de Preços estima uma inflação entre 1% e 1,5%.
Recessão - De acordo com Sidney, se continuar a tendência de queda de inflação e de estabilidade da cotação do dólar, não seria preciso uma recessão tão profunda como a prevista no acordo entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No acordo, está prevista a queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), mas Sidney acredita que uma redução de 2% a 2,5% seria suficiente para o ajuste econômico brasileiro.

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