IGP-DI registra deflação em maio
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 10 (AE) - O Índice Geral de Preços (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) registrou em maio uma deflação de 0,34%, inferior em 0,37 ponto percentual à taxa de abril. É a primeira vez que este índice apresenta deflação desde a desvalorização do real, embora os resultados do IGP-10 (a inflação dos dez primeiros dias do mês), de -0,22% e do IGPM (o índice calculado para o mercado), de -0,29%, já mostrassem essa tendência. A queda dos preços agrícolas, de 4,04%, foi a principal responsável pelo recuo da inflação, segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota. Em abril, os preços deste item já tinham caído 3,3%.
Os preços no setor atacadista continuam sendo os principais responsáveis pela queda da inflação. Embora no varejo os preços ainda registrem uma variação positiva, a elevação para o consumidor está sendo muito pequena. O Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou deflação de 0,82%; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi positivo em 0,08%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), em 0,86%.
Os três compõem o IGP-DI, que determina a taxa geral de inflação e a previsão dos técnicos da FGV é de que em junho o índice suba. O aumento será basicamente devido ao reajuste das tarifas de energia elétrica, que têm peso de 3% no cálculo da taxa para o consumo.
"Com esse aumento, o índice de junho ficará entre zero e -0,2%, e a inflação do semestre fechará em torno de 7%", afirmou Cota. Ele calculou que o impacto das novas tarifas sobre o IPC deste mês será de 0,5 ponto percentual, caindo para 0,4 em julho e 0,2 em agosto. "A inflação já sobe meio ponto só por causa do aumento da energia elétrica", apontou.
Cota lembrou, no entanto, que o governo deve anunciar aumentos também nos preços do álcool combustível (50%), da gasolina comum (10%) e das tarifas telefônicas (8,5%). Se os preços subirem até o próximo dia 15, ele calcula que a inflação volte a registrar taxas positivas, entre 0,1% e 0,3%, provocando o acumulado no semestre de cerca de 8%. A chegada do inverno e a possibilidade de geadas também podem influenciar o índice. "A partir de agosto, porém, a recessão deve fazer o nível de inflação recuar novamente", ponderou. A FGV continua trabalhando com um índice anual de 12%, pelo IGP-DI, e entre 8% e 10%, segundo o IPC.
Alimentação - Para a deflação de maio, contribuiu a expressiva queda dos preços de legumes e frutas: 12,83%. "Houve o aumento da oferta por conta do clima mais ameno", apontou Cota. Cereais e grãos acusaram boa safra e caíram 5,4%. Com isso
o quesito alimentação dentro do IPC registrou queda de 1,21%. Outros produtos também caíram de preço, como animais e derivados (-3,12%) e lavoura para exportação (-3,36%). "Os preços das commodities caíram em dólar", lembrou.
Em contrapartida, os produtos industriais subiram 0,71%, o que representa um aumento menor do que o de abril (1,11%). Os vilões do IPA foram os óleos combustíveis, com um aumento de 19 57%, e o tomate, com 23,69%. No IPC, quem mais contribuiu para a inflação foram novamente o tomate (20,22%), a gasolina (3,26%) e as empregadas domésticas diaristas (4,62%) - num claro efeito do aumento do salário mínimo, em maio. Os dissídios na construção civil de São Paulo foram os principais responsáveis, segundo Cota, pelo crescimento do INCC. "Mas este índice não deve aumentar em junho", apontou.


