Rio, 09 (AE) - Já como reflexo da desvalorização do real
a inflação medida pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) passou de 0,98% em dezembro para 1,15% em janeiro, informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O chefe do Centro de Estudo de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, disse que em fevereiro o IGP deverá chegar a 3% e em março repetirá o porcentual.
Com isso, no primeiro trimestre a inflação atingirá cerca de 8%. "Mas tudo indica que esse será o pico da alta de preços; de abril em diante, a inflação cairá", explicou.
Na avaliação do técnico, a alta de preços deverá ficar em uma "bolha" localizada nestes três primeiros meses do ano, sem contaminar os preços daí em diante. "Se não houver imprevistos, o encarecimento vai estar limitado dentro desta bolha e a inflação do ano de 99 vai se situar entre 12% e 13%", assinalou.
A despeito desta relativamente boa perspectiva, Cota descarta a possibilidade de o País voltar a registrar deflação, como ocorreu algumas vezes em 98. "Isso só se dará caso a recessão seja ainda mais dura do que a que já estamos esperando", frisou. Mesmo assim, ele acha que alguns preços cairão, pois a indústria e o comércio podem vir a formar novos estoques, por falta de consumidores.
Por enquanto, a desvalorização do real teve impacto somente sobre os preços industriais no atacado, que saíram de uma variação de 0,23% em dezembro para 1,82% em janeiro.
De acordo com a FGV, o Índice de Preços por Atacado (IPA) como um todo subiu 1,58% - na verdade, menos do que em dezembro, quando apontou 1,74%, porque os preços agrícolas ajudaram a segurar as elevações, ao variarem apenas 1,10%, ante 4,76% no mês precedente.
O encarecimento dos produtos industriais e extrativos mineral (estes com variação positiva de 9,33% em média) se deu por conta dos produtos cujas cotações são em dólar. Figuram entre eles o cobre (46,90%), o enxofre em bruto (26,06%), herbicidas (27,30%) e inseticidas (15,3%). Estes dois últimos deverão influenciar os preços dos produtos agrícolas e, em seguida, os da alimentação.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) - que compõe o IGP com peso de 30%, enquanto o IPA pesa 60% - passou de 0,09% em dezembro para 0,74% em janeiro, com a alta centralizada no grupo alimentação (+1,65%). O grupo educação, leitura e recreação subiu 1,13%; transportes, 1,00%; saúde e cuidados pessoais, 0,43%; vestuário, 0,27% e despesas diversas, 0,05%.
Um grupo de produtos ainda apresentou deflação no varejo: habitação, com -0,27%. O índice Nacional do Custo da Construção (INCC), com peso de 10%, saiu de 0,05% em dezembro para 0,55% no mês passado.

mockup