Rio, 09 (AE) - O Índice Geral de Preços de Disponilidade Interna (IGP-DI) já acumula alta de 12,64% nos primeiros oito meses do ano. A taxa é a mais alta desde 1995, um ano após o lançamento do Plano Real. Em agosto, a inflação medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) se manteve em um patamar elevado. O IGP-DI ficou em 1,45%, inferior em 0,14 ponto percentual ao verificado no mês anterior.
Os grandes responsáveis pelo aumento do custo de vida em agosto foram a disparada do dólar, o aumento do combustível e a estiagem, que elevou os preços dos produtos agrícolas. Segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, o comportamento do dólar será determinante para que o governo consiga cumprir a meta de inflação fixada para este ano. "A estratégia do governos será segurar o câmbio", revelou. "Com isso, provoca uma queda imediata dos preços no atacado e depois ao consumidor."
Cota explicou que a queda na renda dos assalariados desencadeada pela desvalorização está impedindo que o aumento no atacado seja repassado integralmente ao consumidor. O descolamento entre a inflação medida pelos dois indicadores é gritante. O Índice de Preços por Atacado (IPA) acumula alta de 16,70%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu apenas 6,09% no ano. "O nível de renda está segurando a inflação", acrescentou. "Minha preocupação é que o pagamento do décimo-terceiro salário provoque um repique da taxa em novembro e dezembro".
Em agosto, os preços no atacado foram os que mais pressionaram a inflação. O IPA subiu de 2,03% para 2,15%. Os produtos agrícolas pularam de 1,53% para 2,15%, enquanto os industriais caíram de 2,26% para 2,15%. O frio foi o principal culpado pelo encarecimento dos agrícolas, com os cereais e grãos subindo 4,97% no período. O impacto da alta do dólar nas commodities também contribuiu para pressionar a taxa.
Já os industriais sofreram o reflexo do reajuste dos combustíveis e ainda das tarifas públicas. Cota alertou que o principal perigo atualmente é um novo aumento dos derivados de petróleo. "Isso faria com que a taxa tivesse um novo repique", previu. A inflação medida pelo IPC em agosto caiu de 1,20% para 0,48%, enquanto a captada pelo Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) passou de 0,46% para 0,69%.
O economista acredita que a inflação deve cair para um patamar abaixo de 0,5% entre setembro e outubro, subindo para níveis acima de 1% a partir de novembro. Ele manteve sua previsão de 14% de inflação para o IGP-DI este ano. Para o IPC, taxa semelhante a utilizada pelo Banco Central como meta de inflação, a estimativa é entre 8% e 10%. Já o IPA deve atingir 19% este ano.

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