IGP-DI aponta inflação de 0,19% em fevereiro
IGP-DI aponta inflação de 0,19% em fevereiro9/Mar, 18:18 Por Gustavo Alves Rio, 09 (AE) - A inflação de fevereiro foi de 0,19% segundo o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O índice foi 0,83 ponto percentual abaixo do registrado em janeiro e o mais baixo desde maio do ano passado, quando o IGP-DI teve deflação de 0,34%. A queda dos preços dos produtos agrícolas foi o principal fator para a pequena variação, segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota. Mas o custo de vida foi pressionado pela alta dos preços dos produtos primários com cotação internacional. "As matérias-primas estão aumentando no exterior, e isso talvez prejudique a queda de preço dos produtos industriais", afirmou o economista. A inflação no atacado foi de 0,17%, em consequência da deflação de 1,13% dos preços agrícolas e da alta de 0,74% dos preços industriais. As quedas de preços mais expressivas foram do feijão (17,14%) e do mamão (14,90%). A cotação dos bovinos, de grande peso no cálculo do IGP-DI, também caiu 3,43% em março. No varejo, houve redução de preços de 0,28% dos alimentos, como efeito do recuo das cotações dos produtos agrícolas, e de 2,24% do vestuário, ainda em consequência das liquidações. O maior aumento foi registrado entre os artigos de saúde e cuidados pessoais, que variaram 0,63%. Nova alta - Melo Cota previu que em março o IGP-DI fique entre 0,20% e 0,40%, interrompendo a trajetória de queda apontada no mês passado. As principais pressões virão do reajuste de 12,5% das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e do aumento dos combustíveis, afirmou. Somente estes dois fatores devem ter um peso de 0,38% no cálculo do índice. Mas a pressão será contida pelos preços dos alimentos, que continuarão caindo neste mês, previu o economista. A queda do dólar não deve provocar deflação, porque os preços dos produtos primários, cotados na moeda norte-americana, continuam aumentando, explicou o economista. Melo Cota afirmou que a inflação no primeiro trimestre, o "mais manso", segundo ele, deve ficar em 1,5%, e não mais 1% como era previsto. No segundo trimestre, lembrou, a inflação será pressionada pelo reajuste das tarifas e de outros serviços com preços controlados. Para o economista, estes reajustes devem impedir o governo de reajustar novamente os combustíveis, no primeiro semestre. "O governo vai esperar para dar (o reajuste) no segundo semestre", afirmou. A partir de junho, os preços do vestuário e dos alimentos também devem começar a ser reajustados por causa do frio, com a entrada da nova coleção de roupas em São Paulo e os efeitos na produção agrícola. Os salários também podem ter influência na alta do custo de vida, em um cenário de recuperação da economia, lembrou Melo Cota. "A massa salarial geralmente afeta a inflação seis meses depois da retomada do crescimento", informou.





