Rio, 18 (AE) - O custo de vida caiu 0,06% entre os dias 11 de maio e 10 junho, segundo o Índice Geral de Preços 10 (IGP-10), divulgado hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). No mês passado, a taxa registrou uma deflação de 0,22%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, prevê que este deverá ser o último índice a apresentar queda nos preços até setembro. Segundo ele, os reajustes das tarifas públicas e os problemas climáticos vão pressionar as taxas nos próximos meses.
Cota explica que o frio mais intenso prejudicou a colheita, reduzindo a oferta de alguns produtos agrícolas no País. O resultado foi uma desaceleração na trajetória de queda dos preços agrícolas, um dos itens que mais estavam contribuindo para manter o custo de vida em baixa nos últimos meses. "Os agrícolas tiveram deflação de 3,75% em maio, agora em junho já apresentaram recuo de apenas 2,34%", explicou Cota.
Já o impacto do repasse aos preços da desvalorização cambial nos produtos industrializados perdeu fôlego em junho. Segundo economista, esse foi um dos fatores que colaboraram para sustentar a inflação em baixa este mês.
Entre os três índices que compõem o IGP-10, a maior retração nos preços foi verificada pelo Índice de Preços do Atacado (IPA) com queda de 0,34%, contra uma deflação de 0,60% em maio. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 0 13%, abaixo dos 0,26% do mês passado.
A maior variação foi registrada pelo Índice Nacional do Custos da Construção (INCC), que subiu 0,89% influenciada pelo período de dissídios no País, especialmente em São Paulo.
A estimativa de Cota é de que o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGPDI) registre em junho uma alta de 0,70%, já reflexo dessa maior pressão nos agrícolas e dos aumentos de alguns preços públicos. Esse reajuste nas tarifas terá impacto direto nos preços ao consumidor, que vinham em queda nas últimas semanas.

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