IGP-10 aponta inflação de 3,51%
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 19 (AE) - A inflação entre os dias 11 de fevereiro e 10 de março foi de 3,51%, segundo o Índice Geral de Preços 10 (IGP-10), divulgado hoje. O percentual ficou abaixo da taxa de 4 44% da inflação de fevereiro, medida pelo Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGP-DI). "A queda foi maior do que a esperada", admitiu o chefe do Centro de Estudos de Preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV-RJ, Paulo Sidney de Melo Cota, responsável pelo cálculo dos índices.
Segundo Cota, o índice mostra uma tendência de freio à inflação provocada pela alta do dólar em fevereiro, por causa da recessão. Com isso haveria espaço para o governo baixar os juros
elevados para conter a alta de preços. "O governo achou que a inflação ia explodir, mas a partir de maio, ela deve ficar em 1% ou menos", argumentou. O economista lembrou, no entanto, que o governo já tem programadas outras medidas que vão aprofundar a recessão, no futuro.
Com maior peso no cálculo do IGP-10, os preços no atacado tiveram a maior alta, de 5,27%. No entanto, alguns produtos agrícolas que contribuíram para a forte alta da inflação em fevereiro tiveram grandes quedas, como o feijão (-12 1%), a cana de açúcar (-2,25%) e o trigo (-1,75%). "Daqui para a frente, as quedas vão ser maiores ainda, porque os próximos índices já pegam o dólar caindo", afirmou Cota.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% de peso no cálculo do IGP-10, variou apenas 1,31%, e o Índice Nacional de Custos da Construção Civil (INCC), cujo peso é somente de 10%, aumentou 1,01%. "No preço ao consumidor, a inflação não chegou a decolar", avaliou o chefe do Centro de Estudos de Preços.
A continuação da queda da inflação vai depender do prosseguimento da queda da cotação do dólar, afirmou Cota. Segundo ele, para isto, abril será um "mês crítico", porque estão previstas grandes saídas da moeda norte-americana do País, para pagamento de obrigações no exterior, ao mesmo tempo em que o ritmo das exportações ainda não vai estar totalmente retomado. "Em maio, a saída de dólares vai ser menor, enquanto que a entrada por causa das exportações deve aumentar", afirmou.


