IGP-10 aponta deflação de 0,22%
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 20 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) registrou deflação de 0,22% entre os dias 11 de abril e 10 de maio, de acordo com o Índice Geral de Preços dos dez primeiros dias do mês (IGP-10). Foi o primeiro índice que mede a variação do custo de vida em 30 dias a ficar negativo, após a crise de desvalorização do real. As outras duas deflações foram captadas por prévias do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) deste mês.
Assim como provocou a alta do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, o desempenho da agricultura também é a principal razão para a queda do custo de vida. O Índice de Preços do Atacado (IPA) teve deflação de 0,60%, o Índice de Preços ao Consumidor aumentou 0,26%, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INCC), terceiro a formar o IGP, aumentou 0 41% no período.
No caso dos preços ao consumidor, a queda de 1,16% dos preços dos alimentos, novamente por causa da agricultura, reduziu o impacto do aumento de 4,26% do vestuário e de 1,04% dos transportes. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Melo Cota, afirmou que os próximos índices de preços devem registrar deflações maiores.
Para o economista, o Índice Geral de Preços de Disponibilidade Interna (IGPDI), que mede a variação dos preços do primeiro ao último dia do mês, deve ficar entre -0,5% e -1% neste mês. Cota afirmou que a inflação deve voltar, mas em índices baixos, a partir do segundo semestre, com o esperado reaquecimento da economia, a partir da queda dos juros e do aumento de oferta do dinheiro, que vai abrandar a recessão. "O nível de atividade econômica vai determinar a inflação do ano", explicou.
Nos próximos meses, os índices de inflação não serão mais influenciados pela variação do dólar, que se estabilizará, e a oferta de produtos agrícolas vai recuar com a entrada do inverno. Mesmo assim, a diminuição do poder aquisitivo da população deve contribuir para que a deflação continue pelos próximos meses, afirmou o economista. O aumento das tarifas telefônicas em julho terá um efeito mínimo, calculou Cota.


