Cancún, México, 03 (AE) - O caminho da integração das Américas passa pela adoção de uma moeda sub-regional. A tese foi defendida hoje (03) pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias, na cerimônia de abertura da Terceira Reunião dos Ministros das Finanças das Américas, um foro inaugurado em maio de 1996, em Nova Orleans, como parte do processo de criação da área de Livre Comércio das Américas, a Alca.
"Pode não ser para amanhã nem para depois de amanhã, mas a idéia de uma moeda sub-regional de integração não é uma realidade impossível", disse Iglesias, depois de falar sobre os avanços da integração regional que começaram a ser ensaiados nos anos 70 e ganharam impulso na década passada, com a adoção do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), entre México, Estados Unidos e Canadá, e o Mercosul, entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Iglesias destacou a proposta que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez no final do ano passado, no sentido de que os países do Mercosul façam um acordo semelhante ao de Maastrich
que precedeu a criação do euro, e estabeleçam os critérios de desempenho e de coordenação de suas economias necessários para preparar o caminho para a adoção de uma moeda comum. "O projeto de uma moeda sub-regional pode ser um elemento muito importante para dar um novo vigor ao processo à América Latina", disse Iglesias.
A iniciativa de Iglesias de levar essa discussão a um foro regional é indicativa da perda de espaço da proposta alternativa
da dolarização, defendida pelo ex-presidente Carlos Menem mas é rechaçada por seu sucessor, Fernando de la Rúa. Iglesias disse que o BID não tem posição sobre a dolarização e apenas tomou nota da "decisão soberana" que o Equador anunciou recentemente se seguir esse caminho. "Pessoalmente, não creio que os países da América Latina estejam em condições políticas ou econômicas para adotar esse tipo de política".
A propósito, o diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional, Claudio Loser, desmentiu hoje que a instituição tenha recomendado ao governo de Buenos Aires que dolarize sua economia. Um jornal de Buenos Aires divulgou essa informação na quarta-feira, atribuindo-a a um relatório confidencial do FMI. "Não fizemos essa recomendação", disse Loser, que acompanhou o diretor-geral do FMI, Michel Camdessus, à reunião de Cancún. "O que há são análises, estudos, que fazemos como parte normal de nosso trabalho". A idéia da dolarização tampouco causa entusiasmo no Tesouro americano. "Temos uma posição neutra sobre esse assunto", disse um integrante da delegação que acompanha o secretário do Tesouro, Larry Summers, em Cancún.

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