Londrina – A profundidade máxima do complexo de lagos Igapó é de apenas 4,9 metros, sendo que em alguns pontos não passa de 15 centímetros. Os dados são do estudo topobatimétrico feito pela empresa Brasil Sul Mapas, de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba. Com o estudo em mãos, o Instituto das Águas do Paraná (ÁguasParaná), órgão da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, vai definir o tipo de intervenção para revitalizar o Igapó.
O acúmulo de sedimentos nos lagos é consequência da poluição difusa (acúmulo de sujeira que, jogada nas ruas, vai parar no lago) provocada pelo desenfreado processo de ocupação na bacia hidrográfica do Ribeirão Cambezinho. Nos últimos anos, houve dois casos de transbordamento no Igapó.
A batimetria revelou que há uma grande quantidade de sedimentos no fundo dos espelhos d'água. "Quando construíram os lagos, a profundidade chegava a oito metros em alguns pontos, relatam estudiosos de Londrina. Portanto, pode-se calcular que (o lago) tem pelo menos três metros de resíduos", afirmou o sócio-proprietário da Brasil Sul Mapas, Rojan Gimenez. O levantamento, feito em junho, é o primeiro desde que o complexo paisagístico foi criado, há 54 anos.
O Instituto das Águas também aguarda análise dos sedimentos do lago, trabalho que está sendo feito pela RDR Consultores Associados, de Curitiba. Cinco amostras já analisadas laboratorialmente constataram a presença de metais pesados. Os índices, no entanto, estariam dentro dos padrões preconizados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Outras dez amostras, coletadas em diferentes pontos dos quatro lagos, ainda estão sendo analisadas, passando inclusive por exame granulométrico, que traça a característica e composição dos resíduos. E só a partir desse resultado, será definido o processo de revitalização.
"Preliminarmente, a gente estuda a retirada mecânica ou a dragagem. Para a primeira, há o rebaixamento do nível do lago para retirada do material com equipamentos mecânicos. O sedimento, neste caso, tem que ficar em uma área para secar. É o que a gente chama de bota-fora. Já a dragagem é semelhante ao (processo) dos rios", explicou a diretora técnica da RDR, Andréa Della Nora.
Os resultados desses exames serão apresentados ao Instituto das Águas na próxima semana. "Precisamos saber o que vamos tirar de lá e qual metodologia será aplicada. Se o material for muito tóxico, o bota-fora tem que ser diferente, especial. Essa área tem que passar por um licenciamento ambiental, tamanha a complexidade. Quando todos esses estudos estiverem prontos poderemos apontar um prazo para realização do serviço", explicou o diretor técnico do Instituto das Águas, Carlos Galerani.
No entanto, ainda não há garantia que a revitalização do complexo de lagos saia do papel. O problema é a falta de recursos. O Instituto das Águas tem autorização para bancar apenas os estudos, que vão custar cerca de R$ 135 mil aos cofres estaduais. A execução do serviço depende de dotação orçamentária. O pedido deve ser inserido nos orçamentos de 2014 tanto do Estado quanto do Município.

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