IFC e BNDES reexaminam esquema para financimento de empresas
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Paulo Sotero 
Washington, 28 (AE) - A volta do Brasil ao mercado de capitais levou as autoridades econômicas e a Corporação Financeira Internacional (IFC), o braço do Banco Mundial para o setor privado, a reexaminar uma operação que estavam montando desde o início do ano para reabrir as torneiras do financiamento externo a empresas brasileiras com garantias oficiais.
"Decidimos dar um passo para trás e esperar para ver o que vai acontecer e qual é o desenho de operação que vamos precisar, porque, felizmente, o desenho original já foi mudado pelo mercado", disse o principal executivo da IFC para a América Latina, Bernard Pasquier, referindo-se à iniciativa, conhecida como "Brazil Corporate Trust".
A idéia inicial era a IFC e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) juntarem forças e constituírem uma empresa com um capital de US$ 1 bilhão com o propósito especial de buscar até US$ 5 bilhões no mercado para reemprestar a empresas interessadas em capital de investimentos.
O esquema envolvia garantias do Banco Mundial e contra-garantias do governo brasileiro aos papéis emitidos. As garantias cobririam os credores apenas contra risco de transferência, ou seja, um calote a la Itamar Franco.
Com a reabertura do mercado, a idéia passou a fazer menos sentido. Segundo Pasquier, a idéia da garantia do Banco Mundial, que exigiria a contra-garantia da República, foi abandonada. Estuda-se, agora, a participação da Multilateral Investment Guaranty Agency (MIGA), uma subsidiária do Banco Mundial que garante investidores contra risco político, com a vantagem de dispensar a contra-garantia do governo. "O tamanho da operação pode ser US$ 5 ou pode ser menos", disse Pasquier.
Segundo ele, é possível que uma parte dos rescursos que o Brazil Corporate Trust imaginava levantar acabem indo para uma nova operação que o BNDES anunciou esta semana para ajudar as empresas brasileiras endividadas no exterior a renovar suas obrigações, criando uma empresa que lançará bônus de dez anos no mercado.
O banco de investimentos Goldman Sachs administrará a operação. "Nós não queremos fazer mais do que o necessário", disse Pasquier. Segundo ele, a IFC e o BNDES deram-se um prazo aproximado de três meses para decidir o novo formato do Brazil Corporate Trust ou abandonar a idéia, se a resposta do mercado às boas notícias econômicas do Brasil a torná-la desnecessária.


