Tóquio, 13 (AE-AP) - O iene alcançou hoje (13) o maior nível dos últimos três anos em relação ao dólar. A valorização foi resultado do otimismo em torno da recuperação da economia japonesa sem a intervenção do Banco (central) do Japão. Alguns analistas atribuem-na ainda ao aumento inesperado do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão no segundo trimestre. Segundo eles, esse crescimento pode indicar uma recuperação econômica sólida.
A baixa liquidez do mercado de câmbio na sexta-feira, depois da intervenção do BC japonês, e grandes ordens de compra direcionadas deram mais força ao iene. De acordo com os analistas, o comportamento do iene no curto prazo dependerá basicamente da atuação do banco central. "Intervir apenas por um dia não é suficiente", disse um deles.
O iene subiu hoje quase 3% em relação ao dólar. No mercado de Tóquio, o dólar chegou a 106,05 ienes, sua maior baixa desde junho de 1996. Em Nova York, o dólar fechou ontem a 106,73 ienes
ante 108,88 ienes na sexta-feira.
O euro encerrou o dia cotado a menos de 110 ienes, ultrapassando esse valor pela primeira vez desde que foi lançado
em 1º de janeiro desse ano. No mercado de câmbio londrino, o euro fechou a 108,62 ienes.
As autoridades monetárias japonesas tentaram segurar a supervalorização do iene intervindo no mercado na semana passada. A medida, a primeira desde 21 de julho, no entanto, provou-se pouco efetiva, já que o iene voltou a subir hoje.
Os analistas duvidam que as intervenções periódicas consigam interromper a valorização do iene. "Só um esforço combinado de vários bancos centrais pode fazer a moeda japonesa perder o fôlego", disse um analista. O banco central do Japão continuou cauteloso ontem em relação às perspectivas da economia japonesa, mas indicou melhoras no setor de exportações e na produção industrial.
O relatório mensal divulgado pelo governo há alguns dias surpreendeu o mercado ao mostrar que a economia japonesa cresceu pelo segundo trimestre consecutivo.
O documento mostrou recuperação da produção industrial e das exportações, mas também que a alta do iene estava reduzindo o lucro das empresas. Enquanto isso, os investimentos imobiliários
um dos melhores da semana passada, recuaram.
O consumo interno, que responde por 60% da economia do país, não aumentou, apesar das expectativas dos consumidores em relação à economia terem melhorado. Os gastos corporativos, o segundo maior componente do PIB do Japão, continuam a cair.
A pressão (para baixo) sobre os preços continua. Por conta disso, o banco central já anunciou que manterá os juros básicos do país próximos de zero, enquanto durarem as preocupações com a deflação.

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