Lideranças de Londrina estão reivindicando, junto ao IDR-PR (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar - Emater uma área de 22 hectares na Gleba Cafezal (zona sul) para a criação do Parque Tecnológico do Agro. Esse lote foi colocado à venda, via concorrência pública, por meio de um edital publicado há três anos, com indicação de lance mínimo no valor de R$ 8,743 milhões. Mas não apareceram interessados.

A proposta para cessão do terreno para a criação do parque que irá ampliar oportunidades de pesquisa aplicada foi feito pelo titular da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, Alex Canziani. Mas o pedido foi negado na última quarta-feira (10) por Natalino Avance de Souza, diretor-presidente do IDR.

Em 2022, o diretor de gestão de negócios do Instituto, Altair Dorigo, explicou que o lote foi colocado à venda porque o avanço da malha urbana e o crescimento da população ao redor tornaram a área inapropriada para as atividades de pesquisa. Disse ainda que o recurso angariado será integralmente destinado às atividades de pesquisa do IDR, como aquisição de equipamentos e modernização de laboratórios e estações de pesquisa.

Polo focado em agrotech

Em um parque tecnológico podem ser instaladas diversas empresas que têm a tecnologia como foco de seus negócios, projetado para criar um ambiente de inovação, promovendo integração entre empresas, universidades e centros de pesquisa. A parceria pode gerar soluções tecnológicas para o mercado, com a valorização da região na qual o parque se encontra. É criado um polo de atração de talentos e negócios.

Canziani informou que em conversas com Marcio Nunes, secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, e com o presidente e a diretoria do IDR, foi colocado à mesa o fato de Londrina não ter “nenhuma área para indústrias de base tecnológica, praticamente”.

“Você ter um Parque ao lado do IDR, que tem laboratórios perto da UEL, perto do próprio Parque de Exposições da Sociedade Rural do Paraná, perto da Embrapa, seria um grande ativo e despertaria o interesse de muitas empresas que gostariam de estar em um espaço como esse. Foi por isso que nós propusemos isso, porque eles tentaram vender no passado, não conseguiram e querem fazer uma venda novamente”, contou o secretário.

Canziani especificou o que estaria incluso no parque, contando que a iniciativa é estratégica para o futuro do Instituto e de Londrina, por “aproximar cada vez mais startups e desenvolver soluções para o agro como um todo”. “Teria uma incubadora, fomento a startups, indústrias para se instalar, e você pode colocar startups dentro do próprio IDR para que os pesquisadores possam trabalhar em conjunto. Isso daria renda para o IDR porque esses espaços não vão ser dados, vão ser locados para as empresas, e também vamos ter royalties para o IDR das soluções que surgirem lá”.

‘Retorno a curto prazo’

O secretário visualizou um chamamento nacional para encontrar uma instituição privada para gerir o Parque Tecnológico do Agro em Londrina, colocando sua pasta à disposição para apoiar o empreendimento financeiramente por dois ou três anos. Ele quantificou R$ 5 milhões anuais vindos da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial, mas objetivou a inclusão de outras pastas no auxílio.

Heverson Feliciano, consultor do Sebrae em ecossistemas de inovação, considerou que Londrina necessita de espaços de integração como atrativos para que empresas inovadoras se instalem na cidade, com o parque podendo ser “fundamental para não perdermos oportunidades e nos mantermos competitivos frente a outras localidades”.

Vera Antunes, empresária e presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), considerou a importância do IDR-PR ao agronegócio ao incluir a assinatura da instituição no ofício enviado ao diretor. “Estamos avançando para a tecnologia, para a inteligência artificial, inclusive para se fazer um museu da inteligência artificial lá, estamos na luta para que esse espaço realmente fique em Londrina. A nossa cidade está buscando ser inteligente, inteligente no agro e em todas as áreas, então por que não ter naquele espaço um parque tecnológico?”, questionou.

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Motivo da rejeição

Em documento oficial assinado por Natalino Avance de Souza, o qual a FOLHA teve acesso, o Conselho de Administração do IDR optou por rejeitar o pedido de cessão de uso oneroso da área, “em razão da necessidade de preservação do patrimônio institucional e considerando que o IDR-Paraná não possui, no momento, condições operacionais e institucionais para assumir as responsabilidades inerentes ao modelo de Parque Tecnológico apresentado”.

À FOLHA, Altair Dorigo informou que Canziani solicitou uma reunião com Souza, e que o assunto será tratado entre a direção e o secretário. Completou dizendo que o último leilão “deu deserto, sem interessados. Para realizar um novo leilão temos que fazer nova avaliação mercadológica”. Com base na mais recente, o valor mínimo que o IDR busca com a venda é R$ 15,5 milhões.

Canziani se disse surpreso com a negativa, informando que entidades da Comissão de Desenvolvimento e Infraestrutura de Londrina se uniram para enviar um ofício a Souza no dia 2 de dezembro, solicitando que o presidente aceitasse a proposta. “Ele (Souza) fala que o que mais pega é a questão do valor que eles receberiam pela venda. Mas eu acho que vamos conseguir levar muito mais recursos com um projeto como esse, do que simplesmente vender a área e perder essa oportunidade para a cidade e região”

Contou ainda que vai elencar os motivos pelos quais a rejeição do Parque Tecnológico seria uma “perda para todo o Paraná” na reunião com Souza, e que está otimista que a diretoria vai rever a posição.

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