Segundo o levantamento, a manutenção do ''papel de destaque no modelo de organização da família brasileira'' das pessoas de 60 anos ou mais é revelada com a constatação de que os domicílios com chefes de família idosos aumentaram de 18,4% para 20%. Os dados mostram, por um lado, a crescente independência do idoso, refletida no aumento de 60,4% para 62,4% do porcentual de idosos que são referência no domicílio onde vivem, ao mesmo tempo que reduziu a proporção dos que vivem e provavelmente dependem economicamente de filhos de outros parentes, passando de 17,3% para 15,1%.
Se por um lado o estudo revela a maior autonomia dos idosos, por outro, pode também indicar a maior dependência dos filhos em relação aos pais, por falta de oportunidade de obter sua própria renda.
''Provavelmente, o idoso que em outros Censos era apontado apenas como um parente vivendo na família foi alçado à condição de pessoa de referência. Pelo fato de ter um rendimento significativo, cresceu a importância do idoso'', diz Ana Lúcia Sabóia, coordenadora da pesquisa do IBGE.
Os homens ainda são a grande maioria entre os chefes de família idosos, mas o número de mulheres responsáveis por domicílios vem crescendo. Hoje, do total de idosos responsáveis, 62,4% são homens e 37,6% mulheres. Há dez anos, eram 68,1% para 31,9%. No modelo de família em que vive somente o casal de idosos, sem filhos e outros parentes, a grande maioria dos chefes é homem. Há apenas 2,1 % de mulheres idosas que têm responsabilidade (em geral, econômica) sobre o marido enquanto existem 25,9% dos idosos chefes de família que vivem somente com a mulher e respondem pelo sustento de ambos.
Do grupo de 8,9 milhões de idosos chefes de família, 17,9% vivem sozinhos; 17% moram com o cônjuge, 54,5% vivem com os filhos e 11% moram com outros parentes ou acompanhantes.

mockup