Idosos promovem ações de voluntariado
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quinta-feira, 06 de outubro de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Londrina - Quem não deseja passar dos 70 anos esbanjando disposição e saúde? Com o aumento da expectativa de vida no País, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de aproximadamente 73 anos, essa realidade é cada vez mais comum. O perfil do idoso mudou. Grande parte da população dessa faixa etária não fica a maior parte do tempo em casa nem apresenta uma saúde debilitada, como ocorria antigamente. Essa imagem foi substituída pela do idoso ativo, que aposta na longevidade e busca ocupar o tempo com atividades prazerozas e saudáveis.
Acompanhando essa tendência, em Londrina, um grupo de 32 idosos planeja e executa ações voluntárias em creches, hospitais, asilos e comunidades carentes. ''Mais do que fazer o bem para o próximo, ajudamos a nós mesmos'', define Hezir Thomas da Cruz, de 76 anos, que há mais de dez participa do projeto.
Aos 77 anos, Joaquim Ferreira é a prova viva do quanto o grupo traz de benefício para o corpo e para a mente. O envolvimento com as atividades o ajudou a afastar a depressão. ''Sou viúvo e moro sozinho. O projeto sempre me ajudou muito, pois é uma forma de ocupar bem o meu tempo. Quando comecei a participar estava realmente entrando em depressão, mas agora a realidade é outra. Não perco uma reunião'', garante.
Entre as atividades realizadas, destacam-se as campanhas de arrecadação de materiais. Desde a sua implantação, em 2001, o projeto ''Idoso Voluntário'' já arrecadou mais de 32 mil itens, entre roupas, alimentos, brinquedos, materiais escolares, entre outros.
Também são promovidas palestras voltadas ao grupo em que especialistas abordam temas como qualidade de vida, saúde e prevenção. ''Aprendemos muita coisa. E, acima de tudo, somos amigos. Conversamos bastante e já criamos um forte vínculo'', ressalta Maria do Carmo Rocca, 74.
Iraci Hernandez Doroso, 70, admite que espera ansiosa pelas reuniões, que são realizadas quinzenalmente. ''Os encontros me fazem muito bem'', diz, ressaltando que algumas atividades foram marcantes para ela. ''Gosto de lembrar da oficina de contação de histórias, em que usamos fantoches para apresentar peças infantis em instituições que atendem crianças. Foi muito gostoso'', recorda.
Essas experiências refletem positivamente na saúde do idoso. Segundo a psicóloga Mariana Finco, há uma tendência natural em desenvolver depressão ou outras doenças emocionais nessa faixa etária. Por isso, recomenda-se o engajamento em atividades que propiciam lazer e bem-estar. ''Isso contribui para aumentar a autoestima. Os benefícios são perceptíveis'', detaca.
Outra vantagem, segundo ela, é o envolvimento social. ''Eles devem fazer amizades, conversar e dar risada. Isso aumenta a qualidade de vida'', observa a psicóloga.
Nesse contexto, o papel da família é estimular a participação do idoso em atividades diferenciadas. ''É importante que os familiares apoiem esse tipo de iniciativa'', observa Mariana. Para ela, a prática de atividades físicas também é primordial para manter a saúde na terceira idade. ''É preciso afastar o sedentarismo, a fim de melhorar a saúde física e emocional'', salienta.
A gestora de responsabilidade social Fabianne Piojetti da Silva coordena as atividades realizadas pelo grupo, que atualmente conta com 32 idosos. ''Aos poucos as ações foram sendo aprimoradas. O interessante é que todos participam ativamente da elaboração e execução das atividades'', conclui.


