Idosos precisam complementar alimentação
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domingo, 26 de março de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Um envelhecimento saudável depende (muito) do estilo de alimentação que se adotou durante toda a vida. Mas, já na terceira idade, esses cuidados devem ser complementados. A medida pode contornar deficiências típicas da idade - recomenda o geriatra Marcos Cabrera, de Londrina.
Uma dessas primeiras deficiências é a perda das papilas gustativas. Com o envelhecimento, o indivíduo passa a perder o poder dessas papilas, e conseqüentemente passa a sentir menos o gosto dos alimentos. O grande problema disso, alerta o médico, pode ser um aumento na ingestão de sal, para compensar a falta de gosto dos alimentos - o que pode causar outros malefícios, como o aumento da hipertensão arterial.
Outro cuidado que o idoso deve tomar é com a desidratação. O geriatra explica que o mecanismo da sede também vai diminuindo com o envelhecimento, mas não a necessidade de líquidos. Ele conta que é normal em dias de muito calor, pacientes idosos apresentarem tontura e mal-estar. Na maioria das vezes é falta de água, explica. A recomendação do especialista é que o idoso tome água independentemente de vontade, como se fosse remédio.
A obstipação intestinal é outro problema freqüente nos idosos, por conta da diminuição da mobilidade da musculatura abdominal. Algumas doenças, como problemas na tireóide, e medicamentos, como suplementação de cálcio e os para dormir, também podem piorar a obstipação.
O geriatra explica que a necessidade calórica das pessoas diminui com o passar dos anos, mas que não é saudável aquele idoso que come como um passarinho. Indivíduos com baixo peso, cerca de 5% a 10% da população idosa, fazem parte de um grupo de risco, de maior mortalidade.
Uma dieta saudável, segundo o médico, inclui alimentos de todos os grupos, com preferência para os naturais, sempre em porções pequenas. Evitar as gorduras, principalmente as saturadas (de origem animal) e a trans (a gordura hidrogenada, presente nos alimentos industrializados) é boa medida desde a infância. Ele também recomenda tirar partido dos alimentos considerados funcionais, pelos benefícios que trazem, em qualquer idade, como as sementes, castanhas, uva e vinho, azeite, soja, aveia e tomate.
A dieta ideal de um idoso, aponta o médico, deve sempre contemplar a questão cultural. Ao prescrever alguma mudança na dieta, o médico deve sempre levar em conta se o sujeito é casado, por exemplo, com uma descendente de italianos e comeu macarrão a vida inteira, ou se é um português, que toma vinho todos os dias, ou um japonês, ressalta.
A intervenção na dieta vai acontecer, aponta o médico, quando ela é muito pobre em nutrientes. Caso, por exemplo, de idosos que tomam café com leite, e pão com manteiga de manhã, à tarde e à noite. Essa é uma dieta muito pobre qualitativamente, não é adequada, afirma, ressaltando que mudanças pequenas, como a inclusão de sucos, e salada no pão, já podem enriquecer a dieta.
O médico lembra ainda que a alimentação pode ser uma estratégia no controle de doenças, principalmente as crônica-degenerativas, como as cardiovasculares, diabetes, hipertensão e cânceres. É comprovado que quanto maior a ingestão de alimentos industrializados, maior a chance de neoplasias (cânceres), proporção que se inverte, quando há grande ingestão de frutas e vegetais. Pesquisas apontam que o indivíduo que come de cinco a nove porções de frutas e vegetais vive mais
e melhor, ressalta.


