Cleide Cavalcante
Agência Estado
Foi-se o tempo em que velhice era sinônimo de estagnação. Hoje em dia, com todos os recursos da tecnologia e da medicina, é possível passar pela terceira idade de uma forma mais ativa e participativa – a exemplo do que se observa em países desenvolvidos. Mesmo assim, no Brasil – seja pelos aspectos cultural, financeiro ou social – os idosos, muito comumente, ainda não conseguem ter uma vida plenamente satisfatória.
De acordo com um levantamento da Organização das Nações Unidas, a taxa de crescimento desta parcela da população é a maior. O percentual de crescimento projetado para os próximos 50 anos para pessoas na casa dos 100 anos será de 1.530%, um índice seis vezes maior do que os indivíduos entre os 60 e 79 anos.
Para H. Samm Coombs, os 50 anos representam um período de transição. ‘‘Esta posição o coloca em uma espécie de vazio. Representa uma conspiração do silêncio’’, afirma.
No limiar da velhice, os homens tendem a ser mais cautelosos e conservadores; as mulheres, analisa Coombs, anseiam por mais liberdade, já que os filhos estão crescidos. Esta inversão de papéis pode refletir negativamente no casamento. É um período turbulento também no que diz respeito à vida profissional. ‘‘Desembaraço, autoconfiança, elasticidade e um persistente otimismo (além de um bom plano de saúde) são as qualidades de que você precisará para sobreviver a estes períodos econômicos incertos’’, diz o autor de ‘‘A Vida Após os 50 anos’’ (Editora Madras).
Para Coombs, o sentido de ‘‘velho’’ está cada vez mais perdendo a relação com a idade do indivíduo. ‘‘As pessoas agem de maneira ‘jovial’ segundo suas próprias expectativas, a idade perdeu o papel de indicador de vigor e saúde fisiológica.’’
Se no Brasil os idosos ainda não têm o devido respeito, outros países servem como exemplo. Conforme Coombs, no Japão os idosos são respeitados e em muitos casos venerados por sua experiência acumulada. ‘‘Em culturas primitivas, bem como em algumas sociedades desenvolvidas, a idade avançada é um privilégio aguardado com prazer.’’

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