Em Bocaiúva do Sul, município da Região Metropolitana de Curitiba, mais de 100 idosos se reuniram ontem para protestar contra o INSS, que bloqueou quase cem aposentadorias rurais em Bocaiúva e no distrito de Tunas. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, que promete apoiar a decisão dos aposentados de invadir a sede regional do INSS em Curitiba, caso o órgão não decida rever o cancelamento das aposentadorias.
O presidente do sindicato, João Américo Bernardes, afirmou que os aposentados querem um encontro com a superintendente do INSS, Sonia Regina Cargino Barbosa. Eles querem saber quem vai comprar comida e remédios para eles, já que essa fonte de recurso é o único meio para a sobrevivência, justificou. Bernades destacou que a idade média dos manifestantes é 70 anos, e que comprovadamente são trabalhadores rurais que ‘‘lutaram com o braço e não com a tecnologia e máquinas’’ que têm hoje.
Segundo Bernardes, Bocaiúva é o município mais prejudicado pela revisão da aposentadoria rural no Paraná, porque foi um dos primeiros municípios relacionados. Agora os aposentados querem uma revisão e a mudança de critérios, em que as entrevistas possam ser feitas na frente de testemunhas e não sob a forma de coação como aconteceu com muitos idosos, acusou o sindicalista.
A Federação de Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) também pretende questionar os critérios adotados pelo INSS na revisão dos benefícios, o que aliás era uma reivindicação da própria entidade. Segundo o diretor Mario Pleska, de 1991 para cá o INSS aposentou 400 mil pessoas no Paraná, sendo que muitas foram beneficiadas de forma irregular.
Pleska acusa pessoas que não eram trabalhadoras rurais de ter acesso ao benefício apenas por portar documentação de propriedade de uma área rural e notas fiscais de vendas de produtos, que muitas vezes pode ser de seus parceiros como porcenteiros ou meeiros. Dessa forma, muitas esposas de donos de sítios ou de pequenos comércios no meio rural, que nunca tiveram intimidade com a enxada, conseguiram se aposentar porque apresentaram a documentação exigida.
Já os verdadeiros trabalhadores rurais que realmente trabalharam na terra durante toda a vida não conseguiram comprovar a atividade por falta de documentação. Para Pleska, não é da cultura do trabalhador rural guardar documentos e notas a vida inteira para comprovar uma atividade. Mas salientou que os sindicatos rurais de trabalhadores conseguem identificar facilmente quem trabalhou na terra a vida inteira.
Para corrigir essa distorção, o INSS está revendo todas essas concessões, mas de forma inadequada. Pleska contesta as entrevistas isoladas que o órgão faz com os segurados, sem a presença de uma testemunha. Em geral, essas pessoas são idosas, não sabem se manifestar adequadamente quando são pressionadas e acabam dizendo que estão há quatro ou cinco anos sem trabalhar na terra. Só que esse período se refere justamente à aposentadoria, argumentou.
O INSS se defende argumentando que os sindicatos de trabalhadores não recorreram no prazo estipulado para entrar com recurso contra o bloqueio. Mas Pleska garante que a Feataep fez todos os recursos, e entregues devidamente protocolados no prazo de 30 dias.

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