Idoso de 83 anos vaga pela Albânia durante dois dias
Morina, Albânia, 08 (AE-REUTERS) - Há dois dias ele não seria notado no meio da multidão que jorrava na fronteira entre Albânia e Iugoslávia, mas hoje ele não pode passar despercebido.
Rahim Zulfaj, 83 anos, foi o único refugiado de Kosovo a entrar na Albânia neste posto de fronteira agora deserto, fechado pelas autoridades iugoslavas ontem, segundo informou a REUTERS.
Zulfaj saiu do vilarejo de Senik, no distrito de Malisevo, em Kosovo, na terça-feira mas perdeu-se de sua família na confusão e no caos de milhares de pessoas que entupiam as estradas em direção ao sul.
Sozinho a apenas sete quilômetros da fronteira, Zulfaj tentou alcançar a relativa segurança da Albânia, que já recebeu cerca de 300 mil refugiados - o equivalente a 10% de sua população - desde que a Otan começou o bombardeio na Iugoslávia em 24 de março.
Um trajeto que deveria levar algumas horas durou dois dias, nos quais o homem caminhou a pé apesar da exaustão e da fome.
"Não tinha nada para comer e tive dificuldade para encontrar água", disse.
Ele foi encontrado por oficiais da Agência de Refugiados das Nações Unidas (Acnur) e levado a um campo italiano a quatro quilômetros do norte da cidade de Kukes, lugar para onde se dirigem os albaneses étnicos que fogem dos ataques sérvios.
A Acnur disse que estava tentando encontrar sua família.
O governo albanês anunciou que há ainda 150 mil refugiados na área de Kukes. Dentre estes, 50 ou 60 mil estão sem acomodação, abrigados em caminhões e em trailers.
O primeiro-ministro albanês, Pandeli Majko, afirmou que a Albânia continuaria a receber refugiados, apesar dos encargos que isso acarreta ao país.
"Há cerca de 300 mil kosovares na Albânia no momento mas da forma como os acontecimentos têm se desdobrado, esse número tende a chegar a meio milhão", Majko teria dito à agência de notícias albanesa ATA.
Desde que a fronteira em Morina foi fechada, o fluxo de refugiados, que variava de 30 a 40 mil por dia, virtualmente secou.





